Resenhas

Palma Violets – 180

Registro genérico desmascara mais uma hype criada pela NME e que em mais de 40 minutos cria poucos momentos memoráveis

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Ano: 2013
Selo: Rough Trade Records
# Faixas: 11
Estilos: Indie Rock, Garage Rock, Lo-Fi
Duração: 40:47
Nota: 2.0

“Revelado” pelo semanário NME, o quarteto londrino Palma Violets chegou a diversas capas de revista e teve até mesmo o single Best Of Friends eleito (pela revista) como a melhor faixa de 2012. A partir daí, a hype estava criada e até que víssemos de fato o que o grupo faria em uma compilação (pois em pouco mais de dois anos, o grupo não lançou nenhum EP sequer), ainda nos restaria dúvidas sobre seu real potencial. Seu álbum de estreia, 180, seria a prova para desmascarar mais uma promessa inglesa ou afirmar que todo o falatório não era em vão. Ridiculamente carente de momentos minimamente marcantes, o disco se encaixa como uma luva no primeiro grupo – o dos sucessos forçados alavancados por grandes veículos.

Os 40 minutos de 180 não são um desastre total, porém se tornam extremamente genéricos como o passar das faixas, o que acaba fazendo com que até mesmo seus principais singles percam a força. Circulando em torno de estilos como Garage Rock e Indie Rock, e pincelando aqui e ali um pouco Lo-Fi, a banda brinca como sonoridades pasteurizadas de bandas que fizeram sucesso neste mesmo formato há alguns anos – The Libertines e The Vaccines, por exemplo.

Os dois singles, Best Of Friends e Step Up For The Cool Cats, abrem o disco mostrando aquilo que já conhecemos da banda para que então ela nos mostre o que já conhecemos do Indie Rock dos últimos anos. Estrategicamente posicionadas, elas causam um bom impacto na primeira audição do disco, mas após algumas audições acabam perdendo força e se enquadrando nos moldes das demais faixas.

Depois desta pequena abertura, você verá muitos “oooohs ooooohs” e alguns gritos, o duo vocal entre Sam Fryer e Chilli Jesson, e muitos riffs de guitarra à la The Libertines em faixas como All the Garden Birds, Chicken Dippers e Last Of The Summer Wine. Grande parte delas mantém uma dinâmica e energia muito grande, o que pode fazer mais sentido em shows do que no álbum – mais uma vez se encaixando nos moldes de Pete Doherty, Justin Young e companhia.

Errando a mão na hora da produção, o trio guitarra/bateria/baixo fica alto demais e sufoca a aparição dos teclados de Pete Mayhew, que muitas vezes acaba sumindo entre a tríade que domina grande parte das faixas – como em Rattlesnake Highway, Tom The Drume I Found Love. Certas horas, até mesmo o talento do quarteto se torna algo questionável. O maior exemplo são as guitarras da faixa 14. Propositalmente ou não, elas são péssimas, como se alguém que tivesse aprendido seus primeiros acordes cinco minutos antes de gravar estivesse tocando. Junto a ela, há uma faixa-bônus (Brand New Song) que brinca dentro das mesmas ideias pré-estabelecidas no álbum e não adiciona muito a ele.

Sem trazer ideias novas ou tratar as antigas, 180 já pode ser considerado um dos discos mais pasteurizados e genéricos do ano. Um registro que se arrasta por pouco mais de 40 minutos e que consegue tirar a força até de seus melhores singles. No geral, não passa de mais uma hype produzida pela NME.

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BOM PARA QUEM OUVE: The Vaccines, The Libertines, Howler
ARTISTA: Palma Violets

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts