Resenhas

Parquet Courts – Sunbathing Animal

Banda traz influências do que já havia feito anteriormente, mas eleva os níveis em um trabalho excelente

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Ano: 2014
Selo: Rough Trade
# Faixas: 13
Estilos: Punk, Rock
Duração: 46:08
Nota: 3.5

Sunbathing Animal, terceiro e melhor álbum de estúdio da Parquet Courts, traz o quarteto do Brooklyn com seu talento intacto: letras transbordando com palavras e sentidos, e um som equivalente a um soco no estômago nas músicas mais agitadas. Ele mostra que a banda está expandindo e evoluindo sua música, trazendo um pouco do que já fazia, mas agora com muito mais excelência.

O álbum todo parece gravado de uma vez só, quase soando como “ao vivo”, ou como algo que aconteceu ali naturalmente, de uma forma muito fácil e simples. Como conjunto, é muito bem estruturado, uma vez que as músicas são intercaladas de uma forma que acabam dando um respiro para quem está ouvindo. As canções mais rápidas e frenéticas são seguidas por outras de batidas e sonoridades mais contidas, o que parece ser muito útil depois de algumas explosões durante o registro. Up All Night, por exemplo, é uma faixa de passagem, que prepara os ouvidos para uma outra sonoridade a seguir. Nesse ponto, o equilíbrio parece ideal para a audição completa do trabalho, que acaba fluindo por si só.

Algumas das faixas podem até dar a impressão de uma abordagem mais séria, soando um pouco irritadas ou até um pouco cansadas às vezes. Talvez não funcionem tanto isoladamente, mas como um conjunto, parece tudo muito bem ordenado. Uma impressão segura de que cada coisa está em seu lugar.

O som é bem cru, sem grandes efeitos de produção. Os intrumentos são bem limpos e bem executados, mas não menos produzido do que os anteriores. Aqui, eles aparecerem mais diretos ao ponto, diminuindo as chances de erro por fazerem o “básico”, mas com tanta qualidade, que o resultado acaba sendo impecável. Eles fazem parecer a execução muito fácil e fluída, e a experiência da audição muito prazerosa.

À medida que o álbum vai chegando ao fim, Instant Disassembly e Into The Garden mostram influências da banda anteriormente enterradas. Há diversos momentos que captam o trabalho passado do grupo, Light Up Gold (2013), mas os pontos fortes aqui encontram-se no equilíbrio entre a propulsão Pós-Punk e as experiências mais lentas, por vezes até sensoriais. Interessante ver que a banda, mesmo se aventurando por novos caminhos, ainda mantém um pouco de sua essência, mesmo que esse antigo trabalho tenha recebido duras críticas. Aqui, a banda mostra um amadurecimento muito grande, e o resultado é claro com a audição do disco.

Sunbathing Animal mostra um trabalho evoluído dos dois compositores, Andrew Savage e Austin Brown, que parecem experimentar coisas novas e alinhá-las de maneiras interessantes e inquietantes. É o trabalho que mostra que os membros da banda estão no controle total de seu som, fazendo exatamente o que deveriam ter feito em seus trabalhos anteriores, com muito mais segurança e qualidade. A banda não adquire totalmente uma nova identidade, mas isso prova que eles vão evitar ser estereotipados por nunca tentar seguir qualquer outro caminho que não o seu próprio.

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BOM PARA QUEM OUVE: The Vaccines, The Rapture, Fugazi
MARCADORES: Ouça, Resenha

Autor:

Largadora por vocação. Largou faculdades, o primeiro namorado e o interior. Hoje só quer saber de arte, cinema, música, fotografia e sair correndo pelo mundo.