Resenhas

Parquet Courts – Sympathy For Life

Entre experimentalismo e nostalgia, sétimo álbum da banda americana soa “desencanado” e, mesmo sem grandes surpresas, agradável na maior parte do tempo

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Ano: 2021
Selo: Rough Trade Records
# Faixas: 11
Estilos: Indie Rock
Duração: 45'
Produção: Rodaidh McDonald and John Parish

 

Em 2011, Parquet Courts lançou seu American Specialties exclusivamente em cassete, uma história que chega com status de “lenda urbana” aos ouvidos de quem vive a era do streaming. Neste ano, a banda norte-americana chega a Sympathy for Life, seu sétimo álbum, com a mesma energia com que atravessou a década: uma atitude despretensiosa que não abre mão da alta qualidade de sua música.

Com produção dos renomados Rodaidh McDonald (que já produziu de David Byrne a Adele) e John Parish (parceiro de PJ Harvey em muitos de seus discos), o álbum começa já no convite à dança com o single “Walking at a Downtown Pace”. A faixa conversa com o que esta época de atividade do grupo ofereceu de melhor em um Indie Rock de grandes festivais. A seguinte, “Black Widow Spider”, dialoga com uma sonoridade mais garageira, como das músicas que fizeram Parquet Courts conhecida.

Esse par de faixas inicial prepara o ouvinte para o que ouvirá ao longo do disco, em trânsito entre sonoridades próprias para os palcos gigantescos (“Plant Life”) e aquelas com cheiro de muquifo, de inferninho, ou da forma que você chame os bares pequenos, escuros e de pouca higiene, mas que de onde ecoam músicas boas – ouça “Homo Sapien” e seja transportado para um desses.

Muito além desse movimento pendular entre as faixas, as que mais chamam a atenção são as que mostram Parquet Courts sem medo de ir aonde a inspiração levar, como o Post-Punk eletrônico de “Marathon of Anger” ou a dobradinha “Sympathy for Life” e “Zoom Out”, que não só um momento grooveado muito agradável da banda, quanto nos fazem notar como as linhas de baixo são o ponto alto do álbum. É uma pena a obra terminar com “Pulcinella”, uma balada longa e sem sal, após alguns pontos bem mais altos ao longo da audição. Mas mesmo esses dificilmente ganharão muita atenção por já começarem a soar datados em suas escolhas estéticas – o que faz o vocal sem carisma ficar mais desinteressante.

O maior mérito de Sympathy For Life é conseguir soar “desencanado” por ser experimental aqui, saudosista ali e, mesmo sem grandes surpresas, agradável na maior parte do tempo. É bem produzido e bem executado, mas só se aproveita a audição quando não se leva Parquet Courts tão a sério.

(Sympathy for Life em uma faixa: “Homo Sapien”)

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.