Resenhas

Patrick Wolf – Brumalia

Este disco curtinho se revela uma boa surpresa quando toma uma direção inesperada na metade e consegue melhorar a cada faixa, deixando a vibe dançante de lado e encerrando-se muito melhor do que começou

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Ano: 2011
Selo: Mercury
# Faixas: 7
Estilos: Pop Eletrônico, Folk Eletrônico, Indie
Duração: 27'
Nota: 4.0
Produção: Patrick Wolf

Mas que agradável surpresa ouvir Brumalia, o novo EP de Patrick Wolf com músicas compostas por ele ao longo de 2011, lançadas agora para acompanhar o single Together, presente aqui e no álbum Lupercalia. Quando eu digo “surpresa”, não me refiro a alguma expectativa negativa em relação a esse lançamento que eu pudesse ter, mas porque ele toma um rumo inesperado na segunda metade e termina a obra bem melhor do que a começa.

Isso é interessante, porque a impressão que fica é que o disco abre com sua faixa mais fraquinha, Bitten – com uma introdução bem bonita em cordas que logo se perde em meio aos outros elementos da produção. Daí vem Together, em que Wolf parece reverenciar seus conterrâneos londrinos do Pet Shop Boys, uma boa escolha de single pra ter seus remixes nas baladas. É o mesmo caso de Time of Year, a animada canção pop capaz de participar de muitas playlists para se ouvir no dia-a-dia, com cordas, metais e estalos de dedos se misturando ao vocal.

E eis que surge Jerusalem. O piano tenso logo chama a atenção, principalmente em contraste com o instrumental recheado da anterior. Com menos de dois minutos de duração, a música dá o tom frio e intimista que o EP segue nas próximas faixas. É aí também que o título do disco faz mais sentido, já que as Brumalias eram festas de inverno na Roma Antiga, e consegue lembrar os sons mais minimalistas de Björk, ou Sufjan Stevens em seus lançamentos mais eletrônicos.

Nessa atmosfera, Nemoralia logo ganha o título de “melhor das sete”, mas a maneira com que ela imenda em Pelicans, tão delicada e forte ao mesmo tempo, mostra que qualquer tentativa de eleger apenas uma melhor será injusta. O mesmo acontece com Trust, que se estende em mínimos detalhes por mais de quatro minutos, como se nos iludisse com a sensação que o disco duraria mais tempo, para então acabar quase abruptamente.

Fica a lembrança de um trabalho maduro e coeso. Isso é, a não ser que o seu player retorne à primeira música, que em uma segunda vez destoa ainda mais das outras por ser tão insossa. A dica é já avançar para a quarta faixa e aproveitar esse inverno, que merece durar mais algumas temporadas.

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BOM PARA QUEM OUVE: M83, James Blake, fun.
ARTISTA: Patrick Wolf

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.