Resenhas

Paul Weller – On Sunset

No 15º disco de sua carreira solo, o líder do The Jam observa o salão vazio de um fim de festa e intercala grandiosidade e introspecção

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Ano: 2020
Selo: Polydor
# Faixas: 10
Estilos: Pop, Rock, Singer-Songwriter
Duração: 48'
Produção: Paul Weller, Jan Kybert

Paul Weller é uma instituição da música inglesa. Para além daqueles discos lançados ao lado da The Jam ou da The Style Council, este On Sunset é 15º de sua carreira solo. Com clima de final de dia, parece uma ótima oportunidade para olharmos, com ele, para tudo o que Weller realizou no passado.

Certa vez, o jornal The Daily Telegraph escreveu que, com exceção de David Bowie, seria difícil pensar em outro artista britânico que tenha tido uma carreira tão longa e variada quanto Weller. Nesse sentido, On Sunset parece ser uma reflexão “davidbowiana” da vida, uma meditação de quem já experimentou de tudo, aceitando as coisas que já se foram, mas sem perder o timing da contemporaneidade.

É difícil delinear o estilo do álbum, uma vez que sua produção é maximalista. O que ouvimos parece ser uma espécie de amálgama, uma condensação dos melhores momentos de Weller ao longo de sua jornada. Não por acaso, muitas das faixas ultrapassam os seis minutos de duração: há muito o que ser dito, e, paradoxalmente, não há tempo a perder. Tudo encontra seu devido lugar e nada soa errático, impulsivo ou desnecessário.

On Sunset intercala-se entre momentos mais introspectivos, nos quais a voz e o violão são os protagonistas, e outros mais grandiosos. Há, por exemplos, arranjos de orquestra, há ataques de sopro, e há até espaço também para influências do Rap entrarem em cena. São dez músicas no total e a versão deluxe conta com outras cinco.

“O mundo que conheci já se foi”, o artista canta na faixa-título. Já em “Mirror Ball”, a impressão que temos é a de olhar para o salão vazio de um fim de festa. Em “Village”, por sua vez, há a tranquilidade de uma volta com segurança para a casa. Por mais que esse sentimento crepuscular seja o fio condutor do trabalho, nada soa ressentido. Pelo contrário: o clima é celebratório e a reminiscência da festa traz à mente muitos convidados queridos.

Talvez esse pôr-do-sol a que Weller se refere no título seja uma metáfora para o momento de sua carreira. No entanto, vale lembrar que, a essa altura, o sol pinta toda a atmosfera de cores quentes e se encontra bem na linha dos nossos olhos. De fato, é esse sentimento final que as longas incursões de On Sunset traduzem em forma de música.

(On Sunset em uma faixa: “On Sunset”)

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ARTISTA: Paul Weller

Autor:

Discreto e silencioso. Falo pouco, ouço bem, porém.