Peace – Happy People

Indie Rock nostálgico do quarteto inglês vem com cores felizes e inspiração oitentista

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Ano: 2015
Selo: Columbia
# Faixas: 10
Estilos: Indie Rock, Britrock
Duração: 37:06
Nota: 3.0
Produção: Jim Abiss
Itunes: https://itunes.apple.com/us/album/happy-people/id939941213?uo=4

Quase dois anos se passaram desde que Peace ganhou o olhar do público com sua majestosa ode ao amor In Love. Evidenciando sempre uma clara influência dos anos 1990, o quarteto inglês se afirmou como uma das grandes apostas do cenário local após a positiva repercussão do trabalho por parte da crítica especializada. Em uma destas, alguns jornalistas se preocupavam com a efemeridade da proposta exposta neste primeiro trabalho. Ainda que fosse um disco muito bom, havia um receio de que o elemento Pop presente nas composições fosse tornar o trabalho datado e passageiro. Com o lançamento de seu novo disco (que foi gravado concomitantemente ao futuro terceiro registro) pudemos perceber que a preocupação era válida, mas com algumas significantes mudanças.

Happy People mantém os anos 90 como uma inspiração sólida para o quarteto, entretanto, ela divide o papel principal com a década de 80, de onde seus músicos tiraram referências como linhas de baixo e rítmos um pouco mais Modern Disco. Essa nova estética acaba desagradando um pouco os fãs assíduos do primeiro disco, mas não torna o registro menos escutável, afinal a banda consegue trabalhar bem os elementos oitentistas e mesclar com o Noise e os reverbs marcantes dos anos 90. É engraçado como Harry Koisser comenta esta nova fase na primeira faixa O You, afirmando “The 90’s were cool….the 80’s were better”.

O disco é composto por dez faixas, das quais cinco já nos eram conhecidas, tendo sido divulgadas por singles, lados-B ou apresentações ao vivo. Estas novas seguem a nova perspectiva do grupo mostrando várias facetas da banda. Perfect Skin é o perfeito lamento adolescente embalado por um Pop chiclete e guitarras distorcidas. Happy People é a faixa que mais se assemelha à estética do primeiro disco, mas o Amor cede espaço para a Felicidade como tema principal da canção. Someday e Under The Moon mostram a paixão por baladas dos anos 80, que com certeza teve já se manifestava a algum tempo, com o cover de Last Christmas, da banda Wham!.

Como dito antes, a preocupação com a efemeridade do Pop é válida, mas a dinâmica vista neste disco não foi prevista. O Pop não só não se tornou efêmero como ganhou um papel bem mais ativo. Ou seja, enquanto no primeiro disco ele era apenas um elemento que se acrescentava junto a estética dos anos 90, aqui há uma inversão de valores. A sonororidade de décadas passadas auxilia o Pop. Isto não é um empecílio no desempenho geral do trabalho, mas é curioso ver a fascinação de Koisser para com a melosidade Pop e as décadas que acompanharam sua juventude. Quase como um diário nostálgico de sua adolescência.

No final, temos um disco que ainda vive na sombra do primeiro e sua aceitação será um pouco mais polarizada do que In Love. Ainda sim, Happy People tem canções que deverão funcionar muito bem ao vivo. Podemos esperar uma nova dinâmica no terceiro disco e um ótimo show, caso a banda venha ao brasil (fato que nossa redação espera ansiosamente).

Uma nostalgia vívida, colorida e feliz.

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BOM PARA QUEM OUVE: Jaws, Swim Deep, The Maccabees
ARTISTA: Peace
MARCADORES: Britpop, Indie Rock

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.