Resenhas

Peace – In Love

Quarteto confirma o hype de aposta para 2013 com disco de estreia bem construído. Banda se mostra madura e bem orientada

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Ano: 2013
Selo: Columbia Records
# Faixas: 10
Estilos: Indie Rock, Indie Pop
Duração: 35:44
Nota: 4.0
Produção: Jim Abbiss

Entra ano, sai ano e algumas bandas ganham o “selo” de promessa do ano que está para começar, e isso acaba gerando um hype que muitas vezes pode ser desnecessário e até mesmo forçado. Quando tal expectativa é justificada com o lançamento do, costumeiramente primeiro, material da banda hypada, acabamos então não nos frustrando e muitas vezes adotamos tal banda como uma opção para ouvirmos e acompanharmos. O problema é quando tal expectativa é frustrada, e toda validade do selo vai por água abaixo.

Observamos esses dois exemplos recentemente. Pelo lado negativo, Palma Violets veio como um endosso grande e acabou apenas executando uma sonoridade “okay”, e, em certo ponto, nos decepcionou pela expectativa alta que se tinha. Pelo lado positivo, temos um outro quarteto, Peace. A banda atendeu muito bem ao hype e ao selo de “banda a ser dada a atenção em 2013”, e trouxe em In Love um belo disco que se torna ainda mais belo se vermos que é um álbum de estreia com toda uma carga de pressão da mídia em cima deles.

Aos fãs de um bom Indie Rock com aquele charme britânico, Peace é uma boa pedida. Daquelas para deixarmos em nosso iPod e estarmos sempre de olho em suas novidades. Isso já podia ser observado em 2012, com o EP Delicious. Nele, o quarteto já se apresentava maduro, com quatro faixas muito bem executadas. Agora, em seu disco de estúdio, a apresentação do bom trabalho só se confirma, dessa vez em dez faixas.

In Love foi produzido por ninguém menos que Jim Abbiss, nome por traz da produção do também disco de estreia do Arctic Monkeys. Isso nos mostra a boa “tutoria” que Harrison, Dominic, Samuel e Douglas tiveram em seus momentos de estúdio. O resultado foi um álbum redondo, praticamente sem falhas em sua execução, com identidade e com ar de gente grande. Por esse motivo, fica até difícil apontar pontos mais altos da obra, pois ela se mostra como uma unidade. Entretanto, é claro, temo os singles, que ganham maior visibilidade e atenção. O primeiro deles é Wraith, que surge bem suingado e parece ter um “pé” na Disco Music e funciona muito bem para uma pista. Follow Baby apresenta um Indie Rock melodioso, dando ênfase na bela voz de Harrison, que consegue trabalhá-la tanto para impor intensidade em músicas mais dançantes, quanto para um ritmo mais calmo de baladas.

Na questão das baladas, o Peace também se mostra preparado para essa modalidade. Como pode ser visto em Float Forever, uma boa balada, e que se assemelha um pouco ao Britpop, muito provavelmente por influência regional. Fechando o disco, California Daze – que já estava presente em Delicious – cumpre novamente seu papel no EP, a de encerrar a obra com primazia, sendo uma faixa muito bem construída na questão da melodia e que pode figurar como uma das faixas mais bonitas que encontraremos em 2013.

O álbum de estreia é sempre uma tarefa difícil. É ele que vai ser o cartão de visitas de uma banda e por onde muitos terão essa impressão como a verdade absoluta sobre a mesma. Com In Love, Peace conseguiu mostrar a que veio e quem é, mostrando um cartão de visitas daqueles que vamos guardar em nossa carteira e que iremos recorrer quando quisermos um serviço – neste caso, uma boa música, de uma boa banda, a qual confirmou e justificou o seu selo de aposta do ano.

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ARTISTA: Peace

Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).