Resenhas

Peartree – Intro

Intenso e onírico, EP nos transporta para um mundo de sonhos

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Ano: 2015
Selo: Independente
# Faixas: 5
Estilos: Indie Pop, Dream Pop
Duração: 19"
Nota: 4.0
Produção: Felipe Pereira
SoundCloud: /tracks/190619709

Mais que um título, Intro é um conceito por trás da primeira obra do músico paulistano Felipe Pereira, que assume em suas composições o pseudônimo de Peartree. Esse é seu EP de estreia e, como tal, uma obra que tem como papel debutar, introduzir o artista e sua musicalidade ao público.

Em quase 20 minutos, Felipe busca em uma gama variada de referências, efeitos e inspirações o fôlego para criar cinco músicas que deixam o ouvinte em um estado de suspensão momentânea da realidade. Por alguns momentos, o onirismo atingido na obra consegue nos sublimar da realidade e transportar para um mundo oitentista cheio de luzes neon e pessoas dançando em meio a nuvens de fumaça.

Se esse efeito já era sentido com Hate To Say I Told You So (primeira música lançada e principal single da obra), fica evidente conforme se desbrava o EP seu poder de nos transportar para essa imagem de um passado futurista que o Cultura Pop nos cravou na mente como “anos 80”. Ainda que retrô, a obra não é de forma alguma melancólica. Há nela alma suficiente para que consiga sobrepujar a artificialidade da época e justamente usar esse tom artificial como plataforma de algo muito orgânico e até mesmo abordar temas como espiritualidade e críticas sociais para nosso presente.

Mais que um emaranhado de sintetizadores, baterias eletrônicas e beats computadorizados, a música de Peartree tem algo de belo, algo que máquinas não conseguem criar sozinhas. Há aqui algo que grupos como Braids, M83 e CHVRCHES conseguem fazer muito bem: humanizar um conteúdo quase que criado somente por computadores. E é aí que reside a grande qualidade de Felipe e de seu projeto.

Essa experiência onírica pessoal começa nos ambientando nessa nova paisagem (Someday), para que, quando estivermos confortáveis nesse novo mundo, algo de espetacular aconteça – a sequência Who We Are e Gonna Get Tired. Depois, algo de familiar nos aborda (Hate To Say I Told You So) para que finalmente possamos acordar (ao som de Dreams). Tudo isso em pouco menos de 20 minutos. Certamente, esse é um cartão de visitas e tanto e um motivo a mais para ficar de olho no futuro desse projeto.

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BOM PARA QUEM OUVE: Braids, CHVRCHES, M83
ARTISTA: Peartree
MARCADORES: Dream Pop, Indie Pop

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts