Resenhas

Pélico – Euforia

Terceiro álbum do paulistano trabalha sentimentos positivos sem abandonar sua melancolia

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Ano: 2015
# Faixas: 14
Estilos: Indie Pop, MPB
Duração: 50:43
Nota: 3.0

“Alegria” não era o bastante para Pélico descrever seu terceiro álbum, daí chamá-lo de Euforia. A obra vem, no entanto, com uma felicidade muito mais comedida do que alguém poderia esperar a partir desse nome, que mostra-se eficaz quando comparado aos outros lançamentos da carreira do paulistano.

O Último Dia de um Homem sem Juízo (2008) é visceral, Que Isso Fique Entre Nós (2011) é melancólico e o novo é, acima de tudo, leve. Ainda assim, isso não quer dizer que ele não traga um espírito sentimental que transita entre diferentes emoções, incluindo as mais negativas. A resposta a elas é, porém, mais direta e menos autocomiserativa.

“Insisto em dizer que ainda é possível supor que em toda dor more uma alegria”, canta Pélico na faixa-título, e você percebe seu sorriso ao cantar “e não me falta a coragem de ser o que sou, porque sou sonhador dos meus dias” no mesmo refrão. Escrevo e Meu Amigo Zé (feita para Tom Zé) continuam no mesmo espírito de domar a tristeza sem precisar ter medo da melancolia, o que parece ser o tema central do álbum.

Para isso, o cantor transita por outros tempos (com uma estética vintage e sintetizada anos 1980 em diversas faixas e o samba das rodas aos sábados que frequentava na infância e adolescência na ótima Você Pensa que Me Engana) e outras geografias, citando Rio de Janeiro (Meu Amor Mora no Rio) e Moçambique (na – essa sim – eufórica Sozinhar-Me). O interessante é que esse deslocamento não vem como fuga, mas como inspiração ou resgate de forças pra enfrentar o que vier pela frente agora.

Sua poesia continua afiada e sua interpretação, certeira. Comparado aos seus trabalhos anteriores, Euforia continua a proposta de registrar um momento não só na carreira, mas na vida de Pélico, embora a obra em si pareça estar um degrau abaixo na força de sua identidade, ou mesmo em carisma. Contudo, faixas como Olha Só, Overdose e Sobrenatural tem tudo pra deixar seu público, no mínimo, feliz.

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ARTISTA: Pélico
MARCADORES: Indie Pop, MPB

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.