Resenhas

Perfume Genius – Put Your Back N 2 It

Músico encontra os melhores formatos para tratar de temas intensos, como a dependência de drogas e o abuso sexual, de maneira acessível através de melodias Pop que não desperdiçam a força dos versos

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Ano: 2012
Selo: Matador
# Faixas: 12
Estilos: Indie Pop, Pop Alternativo, Pop Folk
Duração: 32:15
Nota: 4.0

Cada estilo musical parece ter seus temas mais apropriados para tratar. Uns falam melhor sobre curtir a noite, enquanto outros dão conta de chorar um amor perdido, e há ainda aqueles certos para o protesto. Put Your Back N 2 It faz parecer que Mike Hedreas, o nome por trás do Perfume Genius, fez uma profunda pesquisa para definir quais sons utilizar para cantar suas letras, ao mesmo tempo que cada uma das 12 faixas soam orgânicas, espontâneas, como se cada elemento sonoro brotasse junto com os versos.

Em pouco mais de meia hora, Hedreas nos entrega sua intimidade cantando baixinho em referências ao Folk (como na cantiga voz-e-violão Normal Song) e ao Soul (na balada ao piano Hood), amarrando bem uma música na outra (como na sequência No Tear e 17) e criando ambientações sonoras etéreas e aparentemente distantes (Awol Marine e Floating Spit) para dar continuidade aos temas de seu primeiro trabalho, Lecture (2010).

Inspirado pela dor em suas mais diversas formas, principalmente a dor da sobrevivência, o músico narra temas como prostituição, dependência de drogas, autodepreciação, interdependência emocional e o otimismo de poder enfrentar tudo isso e sair bem (No Tear e Sister Song). O abuso que sua mãe sofreu nas mãos do padrasto é a inspiração da belíssima Dark Parts – e não há melhor exemplo para falar sobre como o artista transforma a desgraça em beleza com suas composições.

Seu maior mérito é deixar todas as suas escolhas parecerem, como eu disse, naturais. Dá a impressão que melodias e letras surgem simultaneamente na sua composição, daí ele ter encontrado os melhores estilos e direções para cada uma das faixas, todas curtinhas e com grande capacidade de emocionar. Para compensar a alta carga de sensibilidade, ele não tem medo de dialogar com a música Pop, nos fazendo entender que as dores, por mais intensas que sejam, podem ser acessíveis sem perder intensidade.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.