Resenhas

Perfume Genius – Too Bright

Mais sombrio, novo disco do compositor mostra novo e interessante lado de sua obra

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Ano: 2014
Selo: Matador
# Faixas: 11
Estilos: Darkwave, Synthwave, Pop Alternativo
Duração: 33:15
Nota: 4.0
Produção: Adrian Utley
SoundCloud: /tracks/167705803
Itunes: https://itunes.apple.com/us/album/too-bright/id899176202?uo=4

Um disco de Mike Hedreas, mais conhecido por Perfume Genius, é sempre mais do que a música. Embora sempre estejamos diante de canções belíssima, não é apenas isso que nos atrai na obra do compositor. Seus excelentes trabalhos anteriores (Learning e Put Your Back N 2 It) evocam a qualidade extremamente emocionante e confessional de sua arte, mas, além disso, Hedreas nos entrega sempre uma espécie de experiência estetico-musical que nos traz uma profunda vontade de conhecer mais o homem por trás do piano.

Durante nossa entrevista exclusiva com ele durante sua passagem pelo Brasil, o artista disse que existe a possibilidade de fazer música sem falar de si mesmo, mas, por algum motivo, ele não consegue fazê-lo. Em seu novo registro, fica óbvio o porquê dos trabalhos de Perfume Genius não terem outro mote além do próprio compositor: Mike Hedreas guarda muitos mistérios dentro de si.

Too Bright abre uma nova abordagem na carreira de Perfume Genius. Enquanto em seus outros registros, principalmente Learning, havia uma nítida predileção pelo piano como principal instrumento transmissor dos seus sentimentos, neste, a coisa muda. Sintetizadores entram em seu aparato tecnológico e, assim, novos caminhos da expressão e mente do compositor são expostos para nós. Queen mostra timbres distorcidos, enquanto Grid usa de sequenciadores que simulam baixos New Wave da década de 80 junto com a doce e bela voz do cantor. Já Fool põe em evidência seu lado brega, colocando uma harmonia Pop mela cueca, também dos anos 80, com uma bateria bem firme, mesmo que em certos momentos voltemos à carga pesada da emoção que sua voz traz para o ovuvinte.

Ainda durante nossa entrevista, o músico disse que seu novo disco mostraria um lado mais sombrio e negro de sua personalidade. Dito e feito. I’m A Mother parece ser uma representação sonora do lado mais esquecido da cabeça de Hedreas, reproduzindo timbres baixos e com filtros que deixam sua voz grave, monstruosa e com dor. Em My Body, a coisa fica bem sinistra, pois os sintetizadores e a voz gritante e distorcida dão a impressão que estamos vivendo um pesadelo de sua cabeça, do qual queremos sair imediatamente e, ao mesmo tempo, ouvir mais deste delírio.

Too Bright, como o nome diz, traz muita luz para o ouvinte. Só que estamos diante de tamanha iluminação que ficamos cegos diante dela e, assim, encontramos um disco escuro, como Mike Hedreas disse que nos mostraria. Aqui, a escuridão não é ausência de uma fonte luminosa e sim, a presença de algo muito forte. Forte até demais para apreciarmos apenas com um sentido.

Uma nova faceta de seu trabalho nos é mostrada. Mais um pedaço de sua interessante mente. Que venham outros, afinal, escuros ou claros, são todos bem vindos.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.