Resenhas

Pet Shop Boys – Behaviour

Guinada à melancolia assusta os fãs da banda, mas garante ao álbum um espaço no hall dos mais belos da década de 1990

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Ano: 1990
Selo: Parlophone
# Faixas: 10
Estilos: Synthpop
Duração: 48'
Nota: 4.5
Produção: Chris Lowe, Harold Faltermeyer e Neil Tennant

A sonoridade do Pet Shop Boys nos anos 1980 sempre foi essencialmente alegre – isso quando olhamos apenas para os beats e deixamos de lado as múltiplas camadas das canções. Desse modo, foi uma fuga de rota quando eles lançaram Behavior (1990), seu quarto disco, assumindo uma vertente muito mais melancólica em seu universo. 

Em Behavior, as pistas de dança são apenas um dos muitos cenários pelos quais Neil Tennant e Chris Lowe passeiam. A queda da URSS, o fim da Guerra Fria, a epidemia da AIDS, as desilusões da fama, a apatia enquanto status quo: tudo isso é pano de fundo para um dos discos mais belos e complexos do Pet Shop Boys, em que eles criaram o que seria um bom polaróide do zeitgeist da década que se iniciava.

Neil Tennant, o vocalista, só falou abertamente sobre sua sexualidade em 1994, porém a sua poética já nesse disco deixava tudo muito claro: o hedonismo de “Being Boring”, o pesadelo de se ver de volta na escola em “This Must be the Place I Waited Years to Leave” e mesmo sua forma de encarar o amor em “So Hard” e “To Face The Truth”, tudo estava lá. “Being Boring”, faixa que abre o disco, ganhou um sedutor clipe em P&B, que por aqui era exibido à exaustão na MTV, mas que foi barrado em muitas emissoras por seu “conteúdo sexual”: uma festa que parece não ter fim, jovens em uma mansão e o relembrar de um tempo que ficou pra trás, em que a leveza era a regra (se há beleza no clipe, há também uma melancolia de tudo que a AIDS estava destruindo). 

Inspirados pelas canções do Depeche Mode e contando com a participação das guitarras de Johnny Marr em duas músicas, o duo inglês compôs aqui uma ambiência que nos leva para uma espécie de bar esfumaçado onde ouvimos alguma batidinha chic, como numa sexta-feira triste. Talvez o maior trunfo do Pet Shop Boys em Behaviour seja conseguir dosar a sua melancolia com todas as qualidades Pop que sempre marcaram a sua música: esse é claramente um olhar sobre o fim da década de 1980, mas é também um tratado sobre anseios, solidão e medo em qualquer tempo. O temor da AIDS ou a queda da URSS parecem já lembranças distantes para as novas gerações, mas esses sentimentos causados pela incomunicabilidade e incompreensão do nosso tempo continuam sendo extremamente reais. 

Olhando em retrospecto, Behaviour ganhou louros da crítica, mas demorou a cair no gosto do público, que ainda esperava o seu Pet Shop Boys das pistas – mas a dança aqui é mais lenta, mais cool. Os detalhes, o cuidado redobrado em todas as camadas desse disco envelheceram tão bem que hoje ele é um dos trabalhos mais respeitados de Neil e Chris. Behaviour é, sem sombra de dúvidas, um dos momentos mais belos da música Pop nos anos 1990 e que daria o tom de muitos lançamentos que viriam na sequência. 

(Behaviour em uma faixa: “Being Boring”)

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ARTISTA: Pet Shop Boys
MARCADORES: Synthpop

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