Resenhas

Phill Veras – Carpete

Segundo álbum marca uma notável evolução na sonoridade do compositor

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Ano: 2014
Selo: Oi Música
# Faixas: 8
Estilos: Indie Folk, Folk Alternativo, Pós-MPB
Duração: 33:45
Nota: 3.5
Produção: Adnon Soares

Phill Veras é uma máquina de fazer músicas. Desde que foi revelada sua voz doce lá do Maranhão, o garoto só deu motivos para ficarmos de olho em seu som que, em uma primeira instância, chamava atenção pelo doce timbre de voz, letras românticas e com abordagens interessantes, ao mesmo tempo que poéticas.

Seu primeiro registro, Valsa e Vapor, mostrava um Folk inocente e simples, mas chamava a atenção em certo momento por um leve experimentalismo. Já em seu primeiro álbum, Gaveta, ao mesmo tempo em que as novas sonoridades cresciam, a produção do registro deixou a desejar ofuscando a identificação do ouvinte, tornando-a mais difícil. Mas, ao escolher oito das 70 músicas de seu armário lotado de composições e não economizar tempo em produzi-las, o garoto maranhense quis gritar ao mundo que não era mais um garoto. Tornara-se homem.

Carpete é um tipo de disco específico construído para prender a atenção do ouvinte desde o primeiro segundo de reprodução. No caso, a surpresa fica por conta dos novos timbres acrescentados ao estilo doce de Phill cantar. Sorriso Ao Sono está imersa em uma camada suave de éter frio e confortante, sustentada por reverbs na guitarra e sintetizadores simulando sons dos anos 70. Ao fã do Phill tocador de violão e fã de MPB, a segunda faixa vem logo conforta-lo, com um suíngue menos agitado e, de certa forma, até hipnotizante na faixa Falsa Canção Sã.

A palavra que define Carpete é dosagem. Phill soube realizar um dos maiores desafios ao se escrever um novo disco: evoluir sem desconsiderar o passado. Suas experiências passadas e sua formação forte na MPB não deixou o disco alçar voos extremos no experimentalismo e exploração sonora, ao mesmo tempo que este anseio por novos sons levantou o antigo Phill da brasilidade padrão para enxergar as coisas de uma perspectiva diferente (um voo que deixa o músico sem ar, justificando a capa do registro). A última faixa, Fundo, é a que melhor exemplifica o êxito obtido nesta mistura. Uma melodia e um violão no melhor estilo balada brasileira, sustentado por um orgão tênue e uma percussão constante.

Phill também atua como um padre, casando artistas de estilos diversos em harmonias interessantes. Taquicardia parece misturar a percussão dançante e leve de faixas do primeiro disco de Young The Giant com melodias que ora evocam Cícero, ora mostram um jovem Arnaldo Baptista. Meu Vão, por sua vez, une uma base Indie Folk de Benjamin Francis Leftwich com timbres que escutamos no começo da faixa Summertime Sadness, de Lana Del Rey.

Nossas expectativas se cumpriram e, depois de tirado o excesso de sua gaveta, Phill Veras mostra que toda repercussão feita pelos veículos quando ele foi descoberto era verdadeira. Um disco maduro, feito por músico igualmente maduro e que mostra que apenas tempo pode fazer alguém evoluir.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.