Resenhas

Phillip Long – A Blue Waltz

Cantor arrisca reinventar-se ao buscar inspirações em The Smiths para seu oitavo álbum

 3,889 total views

Ano: 2014
# Faixas: 10
Estilos: Indie, Indie Folk, Pop Folk
Duração: 46:00
Nota: 3.0
Produção: Phillip Long, Danilo Carandina e Enzo Petruchi

“Why would you care about music/Music is dead” – O verso de If the Band Leaders Are Dead, terceira faixa de A Blue Waltz, explica muito deste novo álbum de Phillip Long, o oitavo de sua carreira – porém, de certa forma, pode ser visto como seu primeiro, já que parece recomeçar do zero um novo momento em sua carreira, ou mesmo como seu segundo lançamento, já que os sete anteriores podem ser vistos como o capítulo de estreia em sua história. A melancolia daquele verso prolonga as características que já conhecíamos do músico em um território inédito e bem intencionado.

Admitidamente, todo o disco tem uma enorme influência de The Smiths, algo que qualquer um que já tenha ouvido Morrissey consegue facilmente enxergar. Minha impressão é que o som dos ingleses conseguiu servir de base tão bem para as composições de Long quanto o Folk, o Coutry e as inspirações bucólicas lhe fizeram no passado.

Mas esses sons não desapareceram por completo. Love Is a Ritual, cantada mais perto do microfone, e as guitarras melosas de Naturally Sad e I Hope You Have a Better Life são os exemplos mais claros disso, mas diversos momentos do disco resgatam o som que já conhecemos e, de certa forma, esperávamos que ele fosse fazer ao anunciar um novo trabalho.

Digo isso porque estou certo que a melhor motivação para alguém vir conhecer A Blue Waltz é a de ouvir mais do trabalho de Phillip, não tentar encontrar apenas um disco com suas novas referências. Quem sempre apreciou sua melancolia, sua poesia e a força de sua interpretação provavelmente encontrará um prato cheio para mais algumas doses de músicas tristes, bem arranjadas e lindamente apresentadas.

Como conheço seu trabalho desde antes do primeiro álbum, tentei ouvir o novo também com ouvidos “do zero”, como se fosse a primeira vez. Imagino que essas suas melhores qualidades passem facilmente para quem tem empatia por sons assim, mas temo que as novas influências possam causar a impressão de um baseamento exagerado em The Smiths, principalmente em faixas como Why So Romantic With Death? e Tidal Wave. Quem não o conhece pode achar que Long está não sob a influência de Morrissey, mas em uma tentativa de imitação.

Há ainda uma certa semelhança entre as canções que pode dar uma sensação de um disco “arrastado” – embora a ideia seja exatamente essa, só que isso pode pender para um lado negativo. O mais curioso pra mim foi notar que, pela primeira vez em um álbum de Phillip Long, os momentos que achei mais bonitos foram os instrumentais – quando você ouvir Cold Ground (Take Her Away) e What Lovers Should Do, me entenderá.

Ouça o quanto o calor dos timbres tão ricos contrastam com a frieza do eu-lírico, ou a forma com que algumas músicas emendam bem umas nas outras. Detalhes assim merecem ser escutados independente do histórico de um músico ou de suas referências. E se A Blue Waltz é um processo de reinvenção, imagino que ouvi-lo também seja ainda melhor para quem decide se desprender de seus preconceitos ou dos lugares comuns de falar sobre música. Se é para escutá-lo, que seja com o coração na mão.

 3,890 total views

BOM PARA QUEM OUVE: The Smiths, Morrissey, Damien Rice
ARTISTA: Phillip Long
MARCADORES: Indie, Indie Folk, Pop Folk

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.