Resenhas

Phillip Long – Frágeis Como Flores

Primeiro disco totalmente em português reafirma as melhores características do músico

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Ano: 2017
Selo: Independente
# Faixas: 10
Estilos: Indie Folk, Brittish Rock, Pop Rock
Duração: 45:40
Nota: 3.5
Produção: Eduardo Kusdra

É difícil falar da obra de Phillip Long de uma forma una. É claro que podemos adjetivar sua discografia como sincera e/ou subjetiva mas, mesmo assim, estaríamos sendo extremamente simplistas, ignorando um universo de infinitas possibilidades contidos dentro do imaginário do compositor de Araras (SP). Cada disco é um microcosmo único e, assim, sua personalidade vai se revelando cada vez mais profunda, uma vez que dentro de Phillip existem as várias memórias matrizes de seus discos e elas, por sua vez, são compostas de sub-microcosmos. A complexidade de sua essência é certa e, a cada registro, o músico tenta entender novas partes de sua vida. Desta vez, uma nostalgia bem construída acompanha as reflexões da vez, entoando em alto e bom som uma ode aos anos 1990, principalmente sobre o cenário Pop britânico.

Frágeis Como Flores é seu décimo primeiro álbum e o primeiro totalmente em português. Com a produção e arranjos novamente assinados por seu inseparável amigo Eduardo Kusdra, o trabalho é um grande trânsito entre a melodiosidade melancólica do Pop britânico e os arranjos doces de um Indie jovem, antes de ser invadido pela estética Lo-fi. Phillip se sente confortável em dividir partes de suas descobertas sobre a vida, porém de uma forma quase narrativa, evidenciando a admiração inegável de Bob Dylan. Quase como fábulas que delas tiramos uma essência e qualquer similaridade com a vida real não é mera coincidência. Desta forma, não poderia haver uma década que auxiliasse melhor a forma como ele conta suas narrativas do que os anos 90, cujas estéticas evidenciavam ambos os lados das emoções humanos: o bom e o mau, o otimismo e a melancolia, o sagrado e o profano.

Neste mundo de antagonismos complementares, Phillip inicia sua nova história com Talvez, faixa alegre que é atenuada com guitarras reverberadas e frias. Já Meu Corpo Contra o Seu mostra uma postura mais séria, relembrando hinos fantásticos de R.E.M. Alguém Acenda Essas Luzes por Mim carrega um sentido de auto-compreensão junto a uma aura que mistura um que de Pixies com The Smiths. As Horas não ganha seu título à toa, tão densa e pesada quanto o filme de mesmo nome, ela nos embala em lindos acordes de cordas, mas que precisam de certa coragem para serem encarados. A Noite Não É de Ninguém lembra um toque irônico de celebrar a tristeza, tal como The Cure fez em muitas de suas composições. A música que dá título ao disco explica um pouco sobre a fragilidade do tempo e o quanto nossa percepção é pífia diante disso. Por fim, Paranóico embala uma canção Folk potente com acordes intensos com um intuito de encerrar um novo ciclo de questionamentos com uma sonoridade grandiosa e epifânica.

Este novo trabalho pode não ter mostrado algo necessariamente novo ou inovador dentro da carreira de Phillip Long, mas certamente ganhamos mais um capítulo delicioso para ler e reler, encontrando novos significados a cada play. Um trabalho que exemplifica a essência de Phillip e nos convida a filosofar da mesma forma.

(Frágeis Como Flores em uma faixa: As Flores)

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BOM PARA QUEM OUVE: The Smiths, R.E.M., The Cure
ARTISTA: Phillip Long

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.