Resenhas

PJ Harvey – Let England Shake

Inglesa lança um retrato do mundo contemporâneo ao criar uma declaração de amor melancólica ao seu país de origem, em belas melodias que amparam os versos entoados pela interpretação chorosa da cantora

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Ano: 2011
Selo: Island, Vagrant
# Faixas: 12
Estilos: Rock Alternativo, Folk Rock
Duração: 40:15
Nota: 4.0
Produção: Flood, Mich Harvey, John Parish, PJ Harvey
Livraria Cultura: 29474955

“O Ocidente dorme, deixe a Inglaterra tremer, pesada com mortos silenciosos”. É com esses versos que PJ Harvey abre o seu Let England Shake, um dos discos de maior destaque em 2011. Como o choro de alguém que ama sua terra e não se conforma com sua atual condição, a cantora reúne suas diversas referências para criar uma obra sem fronteiras.

Entre as influências, ela cita bandas como The Velvet Underground e The Doors, que conferiram a pegada de Rock Experimental ao trabalho, e pintores como Dalí e Goya. Enquanto o primeiro monta cenários com diferentes elementos, e aparentemente desconexos, em espaços abertos, o segundo soube lidar com temas sombrios e violentos em suas telas – e essas duas características estão presentes no álbum.

As feridas das recentes guerras, como no Afeganistão e no Iraque, ainda estão abertas no canto de PJ, que lamenta o ponto em que a humanidade chegou. “Eu vi soldados caírem como pedaços de carne, com explosões e tiros além da crença, seus braços e pernas estavam nas árvores”, canta ela em The Words that Maketh Murder, enquanto o refrão de On Battleship Hill narra que “A natureza cruel venceu novamente”, uma visão crítica e existencial da raça humana.

Para embalar os versos com tanta carga agressiva, as melodias são, no geral, doces – ainda que tenham uma certa força dinâmica muito própria, como na faixa-título. A interpretação chorosa da cantora ecoa ao longo das canções, em uma emoção que reverbera na mesma frequência até a última música, passando pelo hino England, uma declaração de amor melancólica à sua pátria (“A você, Inglaterra, eu me apego; Amor intrépido e infalível”).

Mas se engana quem ouvir Let England Shake com apenas a Grã-Bretanha em mente. O disco faz uma metonímia ao pegar a terra da Rainha para ilustrar a nossa época, seja no Oriente Médio ou em qualquer parte do mundo ocidental. O lamento é global, tanto é que o som de PJ Harvey consegue ser único e plural ao mesmo tempo.

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BOM PARA QUEM OUVE: Feist
ARTISTA: PJ Harvey

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.