Resenhas

Primal Scream – Chaosmosis

Décimo primeiro álbum de grupo britânico é recheado de altos e baixos

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Ano: 2016
Selo: First International, Ignition Records
# Faixas: 10
Estilos: Pop Alternativo
Duração: 37:43
Nota: 3.0
Produção: Björn Yttling

“Caosmose” é um conceito criado pelo filósofo e psicanalista Félix Guattari – criador da Esquizoanálise ao lado de Gilles Deleuze – que diz respeito, a grosso modo, à influência da linguagem, dos meios de comunicação e da tecnologia na subjetividade humana.

Escolher Chaosmosis como o título de um trabalho não é uma atitude necessariamente estranha vinda de Primal Scream, por duas razões principais. Por um lado, a consciência política do grupo não é exatamente uma novidade. Vimos uma nova vertente crítica nascer em XTRMNTR, e, com ela, uma nova proposta sonora para o grupo, faceta crítica que insiste até Evil Heat mas que perdura, de certa forma, por todos os álbuns do grupo desde então.

Todavia, outros sintomas parecem denunciar a predileção de Primal Scream pelo seu novo título, a saber, o resgate à obra prima do grupo, Screamadelica, evidenciados na semelhança fonética dos neologismos do título, ou mesmo na foto de capa que mostra um jovem Bobby Gillespie circa início da década de 90.

Primal Scream nunca deixou de experimentar sonoridades, sem se render com facilidade à fórmulas estabelecidas. Fórmulas essas, algumas vezes, consagradas pelos próprios. Por isso mesmo, sua carreira é marcada por alguns momentos muito interessantes para a música mundial, pareados com outros não tão relevantes assim. Assim sendo, não é difícil de entender esse resgate de Screamadelica, embora isso traga à Chaosmosis um certo ar de pastiche.

Trippin’ On You Love é obviamente um resgate vindo de 1991, e é uma faixa de abertura colocada no pódio justamente para estabelecer esse cenário para o ouvinte. Fora do contexto da história da própria banda, todavia, fica difícil laurear Chaosmosis como um destaque na música atual. Sem dúvida existe um apelo Pop e uma tentativa de alargar o público da banda, conquistando um frescor após seus trinta anos de carreira, todavia em alguns momentos a banda passa por estratégias tão rasas que dificilmente se equiparam aos melhores momentos do seu legado. O refrão de Where The Lights Get In (não por acaso, cantado em parceira com Sky Ferreira) é difícil de ser levado a sério (mesmo que seu ritmo truncado e contraintuitivo traga algo de inesperado à melodia). A introdução de Carnival Of Fools também causa estranheza, a menos que seja encarado como uma paródia proposital do Pop Alternativo atual. O mesmo vale para o coro que canta “aleluia” ao final de Golden Rope.

Em outros momentos, no entanto, Chaosmosis proporciona um audição fácil de engatar e se torna envolvente, como, por exemplo, na vibe caribenha de I Can Change ou no fechamento do trabalho Autumn In Paradise.

No geral, Chaosmosis ainda mantém Primal Scream sob o fantasma de sua obra prima, mesmo que, propositadamente, faça menção à seus melhores momentos, cercado de propostas interessantes que dividem espaço com outras que, infelizmente, se rendem à facilidade.

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BOM PARA QUEM OUVE: Sky Ferreira, The Stone Roses, Blur
ARTISTA: Primal Scream
MARCADORES: Pop Alternativo

Autor:

é músico e escreve sobre arte