Resenhas

Pusha T – King Push – Darkest Before Dawn: The Prelude

Segundo disco de produtor diverte, mas revela algumas falhas

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Ano: 2015
Selo: GOOD Music/Def Jam
# Faixas: 10
Estilos: Hip Hop
Duração: 33:13
Nota: 3.0
Produção: Pusha T

Pusha T está onde todo jovem produtor gostaria de estar algum dia. O rapper tem em seu currículo participações invejáveis, como a música Runaway, integrante da épica odisseia contemporânea de Kanye West My Beautiful Dark Twisted Fantasy. Além disso, seu álbum de estreia nos impressiona até hoje, seja pela precisa e afiada produção ou pela construção de pontes concretas para com suas referências nos inúmeros samples ao desenrolar do trabalho. Junto ao selo GOOD Music, o rapper é ácido e suas letras são destruidoras, no sentido de não deixar margem para adendos assim que suas ultimas palavras forem proferidas. Uma trajetória invejável, mas que parece ser interrompida assim que os primeiros segundos de seu novo disco são reproduzidos.

É preciso deixar claro que King Push – Darkest Before Dawn: The Prelude não é um disco ruim que põe em cheque toda a reputação que Pusha T construiu minuciosamente durante os últimos cinco anos. Todavia, as coisas não são tão empolgantes quanto outrora e, se temos algum divertimento concreto durante sua execução, ele advém de umas três músicas genuinamente boas e um resto de cópias de gêneros hiperreproduzidos nas rádios com o Trap. Durante algumas faixas, somos surpreendidos por exaustivas repetições de beats que sugerem uma preguiça incomum no trabalho de Pusha T. O engraçado é que os timbres e sons escolhidos para ilustrar as batidas são bastante interessantes, mas, quando tocados exaustivamente, enjoam rápido, fazendo um ouvinte não tão adepto do rapper desistir logo de escutar. É tudo uma questão de bom senso, afinal uma boa rima não salva um beat medíocre e vice versa. O ousado produtor de My Name Is My Name não está aqui.

Embora Crutches, Crosses, Caskets e M.P.A sejam faixas brilhantes, é difícil atribuir a elas a responsabilidade de compensar todo o trabalho que as outras músicas deveriam ter tido. Temos um deslize que talvez seja mais necessário do que preocupante, no sentido de que a maturidade artística de Pusha T, revelada em outros trabalhos, torna este disco um passo errôneo para o aperfeiçoamento pleno do produtor. Divertido, mas com uma pontada de decepção.

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BOM PARA QUEM OUVE: Future, Ghostface Killah, Kendrick Lamar
ARTISTA: Pusha T
MARCADORES: Ambient, Hip Hop, Trap

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.