Resenhas

PYYRAMIDS – Brightest Darkest Day

Estreia do duo decepciona em sua estrutura e não consegue fugir de um estilo pré-estabelecido. Mas será que alguma coisa se salva neste disco? Leia aqui.

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Ano: 2013
Selo: Paracadute
# Faixas: 11
Estilos: Post-Punk, Rock Alternativo
Duração: 34:00
Nota: 2.5
Produção: Dave Fridmann

Um conselho antigo, referente as entrevistas de trabalho, afirma que os cinco primeiros minutos são importantíssimos para convencer o seu entrevistador de que você é merecedor de sua atenção e que pode ser contratado. O debut do Pyyramids, Brightest Darkest Day, se encaixa curiosamente nesta definição, mas mas da maneira inversa.

Já haviamos falado aqui sobre o duo formado por um dos membros da divertida OK Go, e que emanava sons dos anos 1980 com uma voz feminina enraizada no Soul. Alguns singles foram lançados mas, logo de cara, o que chamava realmente atenção era a faixa Don’t Go com seu clipe bonitinho, clima melancólico e uma percussão ótima. Logo, grandes expectativas rodavam a estréia do grupo.

No entanto, perversamente, o trabalho caminha para direções opostas, denunciando mazelas, e aquela atenção inicial necessária acaba se perdendo no início do disco. Para começar, o clima da década perdida está aqui: abordagem mais dark, uma certa mistura entre Punk e Post Punk e riffs mais minimalistas. Pense em um Interpol encontrando um Yeah Yeah Yeahs, interessante, certo? Smoke And Mirrors captura um pouco desta essência, principalmente em uma instrumentação que lembra bastante o grupo de Paul Banks. A vocalista mostra o seu potencial mas nunca sai do mesmo timbre ou estilo de canto. Tudo bem, cinco minutos ainda não se passaram.

Logo em seguida, vem a ótima Don’t Go já comentada anteriormente, uma balada interessantíssima e que surgiu como uma das grandes surpresas do ano. Entretanto, a continuidade do disco não segue os mesmos patamares, e começa a enjoar o ouvinte sob diferentes pontos de observação. Primeiro, a faixa pode ser mais roqueira como Do you Think You’re Enough? ou mais calma como Invisible Scream, em que a voz de Drea Smith soa exatamente igual, o que acarreta um certo ar de “já vi isso antes” ao longo da obra. Segundo, as letras não são nada demais, mas até aí tudo bem, pois muitas vezes as melodias compensam a falta de lirismo, no entanto, todas as faixas repetem exaustivamente refrões e versos, algo irritante. A pseudo-balada Paper Doll é um destes casos e se utiliza dos últimos 30 segundos para martelar e grudar na sua cabeça um refrão não tão interessante assim.

A repetição só prejudica a boa instrumentação feita por Tim Nordwin, ponto alto do duo, e que de certa forma salva algumas faixas do disco como Everyone Says com sua guitarra bem delineada, e um clima mais sensual, os quais combinam bem com a proposta de voz feita. That Ain’t Right também vem para calar a boca deste crítico com uma canção divertida e viciante, diferente do que foi visto ao longo da obra. Algo que se consolida em Nothing I Can Say, música que lembra muito o trabalho do Yeah Yeah Yeahs em seu segundo disco, Show me your Bones. Este momento chama atenção pois pela primeira vez, Drea tenta fazer algo inovador com a sua voz, não soa repetitiva e proporciona a melhor balada de todo o disco. Uma atmosfera meio nebulosa, concentrada no delay e numa guitarra com um crescente volume fazem desta faixa o momento de retomar as atenções. Infelizmente é a última e dura menos de três minutos.

PYYRAMIDS não consegue fugir da estrutura criada em seu início e acaba recorrendo a repetições tanto de idéias como de sons, o que não faz desta estréia um grande destaque. Alguns momentos bons aparecem, mas não sabemos ao final se eles são realmente relevantes ou se só estamos procurando alguma coisa interessante para ser absorvida. Ao final, a melhor faixa é o single Don’t Go e abordando um outro ditado, desta vez musical, se a melhor faixa de um disco é o seu single, então temos um problema. Logo, Brightest Darkest Day é uma grande decepção.

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BOM PARA QUEM OUVE: Hurts, Yeah Yeah Yeahs, Interpol
ARTISTA: PYYRAMIDS

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.