Resenhas

RAY BLK – Access Denied

Unindo a intensidade do Rap e o envolvimento emocional do R&B, terceiro disco da artista anglo-nigeriana é o mais sólido e maduro de sua carreira

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Ano: 2021
Selo: Island Records/Universal Music
# Faixas: 14
Estilos: Rap, R&B
Duração: 41'
Produção: Suburban Plaza, Fred Ball, Rymez, Tay Dex, Wes Singerman, JD. Reid e Rogét Chahayed

Access Denied é o terceiro álbum da cantora e compositora RAY BLK e apresenta muito bem, ainda melhor que seus antecessores, as duas potências sobre as quais a artista anglo-nigeriana constrói um novo momento em sua música: a intensidade do Hip Hop e o envolvimento emocional causado pelo R&B. O resultado é uma obra que, se não surpreende no quesito “originalidade”, agrada amplamente fãs do que os dois gêneros têm de melhor.

Há uma palpável urgência nas 14 faixas (13 músicas e uma vinheta) diferente de seus sucessos anteriores, como “My Hood”, “Run Run” e “Doing Me”. Sem deixar seu lado mais Pop aflorar, RAY BLK canalizou a energia do Rap e montou um repertório de versos nervosos, de aspectos narrativos cheios de descrições, para comunicar sensações ásperas de quem não está necessariamente preocupada em agradar o ouvinte.

Com grande fluidez, no entanto, ela vai de uma cadência rapper muito inspirada pelo Trap para um canto melódico que sempre ampara emocionalmente as faixas. Segundo a artista já revelou em entrevistas, esta obra nasceu tanto de um novo entendimento do que o amor pode ser, quanto de aceitar seguir caminhos diferentes daqueles que os outros esperavam que sua música seguisse. Juntas, essas duas noções criaram um álbum com cara de desabafo, de palavras entaladas que finalmente vêm ao mundo – a tal já mencionada “urgência” no seu canto e nas batidas.

Para isso, RAY se deixou ser influenciada pelo Rap comum da região do sul de Londres, onde ela cresceu e deixou seu som ser infectado pela força daquela interpretação. Em paralelo, o R&B com o qual ela sempre dialogou está ali aproveitando ao máximo o potencial vocal que ela sempre demonstrou, só que agora a serviço não de fazer o ouvinte dançar ou cantar junto, mas de criar uma dinâmica interessante com versos até mesmo raivosos.

Em alguns momentos, parece que Access Denied perde a mão levemente em sua intenção de se deixar levar pela intensidade e cria algumas faixas muito parecidas entre si. Ironicamente, um dos melhores momentos ao ouvir o disco na sequência é a última faixa, “Over You” (com Stefflon Don), justamente a que mais se parece com os momentos mais Pop de sua carreira e discografia. Ainda assim, é uma obra sólida de uma artista que sabe desenvolver a música que quer realizar de acordo com sua demanda criativa – uma dádiva da maturidade do terceiro álbum.

(Access Denied em uma faixa: “BLK MADONNA”)

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ARTISTA: Ray BLK

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.