Resenhas

Regina Spektor – Remember Us To Life

Sétimo disco da cantora traz maturidade aliada à nova fase de sua vida

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Ano: 2016
Selo: Sire/Warner Records
# Faixas: 11
Estilos: Indie Rock, Folk, Singer-songwriter
Duração: 46:29
Nota: 4.0
Produção: Leo Abrahams e Regina Spektor

Um disco de Regina Spektor é sempre um desafio emocional. Com uma discografia recheada de trabalhos emocionantes, a compositora sempre teve um domínio magistral em saber conduzir com precisão o ouvinte para qualquer ponto do espectro emocional. Quando damos play em qualquer registro de sua carreira, assumimos um compromisso de nos entregar totalmente diante daquilo que Regina nos quer mostrar, tal qual uma peça de teatro cuja única ação que realmente nos é exigida é nossa completa atenção. Para isso, ela utiliza todos os gêneros que melhor podem expressar suas histórias e convicções, passando pela dramaticidade do piano bruto em Mary Ann Meets the Gravediggers and Other Short Stories até chegar aos flertes mais intensos com o Indie Pop em What We Saw From The Cheap Seats. E agora, em seu sétimo álbum, seu domínio do recurso narrativo se revela cada vez mais pleno e denso.

Remember Us To Life é a história mais profunda que Regina já se propôs a contar, o que é evidenciado nos diferentes gêneros que ela utiliza ao longo deste trabalho. A experiência com a composição e arranjos em diversos territórios formou uma compositora cada vez mais madura e, ao contrário do que pode-se supor, isto não traz uma aura menos Pop. É um disco que se manifesta como uma peça, em atos com linguagens e ambientações próprias. Essa maturidade foi justificada pela cantora como uma exploração fantástica das emoções que o período de sua primeira gestação gerou e como, após o parto, o pouco tempo que tinha entre os cuidados do recém-nascido era suficiente para uma composição sincera e nova. Por vezes, seu marido aparece em algumas canções, contribuindo com os vocais e deixando a obra ainda mais pessoal para Regina.

Bleeding Heart, o primeiro ato deste novo espetáculo da artista, revisita de forma mais Eletrônica aqueles flertes do Indie Pop. Essa referência permanece viva durante o disco, mas possui manifestações diferentes, como na faixa seguinte, Older and Taller, na qual os arranjos passam a lembrar as pegajosas canções de Belle And Sebastian. A interpretação tocante da compositora é presente em quase todo o álbum, mais especificamente em Grand Hotel e The Trapper and The Furrier. The Light e Obsolete são duas das canções mais belas e é difícil não ver um pouquinho de Joni Mitchell nos versos sinceros e de melodias tão tocantes. Tornadoland é um exemplo de como os arranjos permanecem uma parte fundamental da obra de Regina, trabalhando tensões diferentes e sonoplastias muito bem colocadas. Por fim, Sellers of Flowers e The Visit mostram como as músicas possuem um ar de musical da Broadway, mas trabalhadas de uma forma pouco clichê e que emocionam com a doce e forte voz da compositora.

Desta forma, Regina Spektor nos entrega um disco maduro e que acompanha as novas fases de sua vida, trazendo uma nova perspectiva sobre seu processo criativo bem como um olhar crítico diante de tudo que já produziu. É uma forma interessante de introspecção na vida de Regina, mas também é uma belíssima história de se ouvir, acrescentando mais uma incrível obra em sua discografia tão rica. Um potente drama, no sentido mais clássico do termo.

(Remember Us To Life em uma faixa: The Light)

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.