Resenhas

Regina Spektor – What We Saw From The Cheap Seats

Em seu sexto disco a moça traz uma serie de peculiaridades e excentricidades que extrapolam os que se viam nos álbuns anteriores

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Ano: 2012
Selo: Sire Records
# Faixas: 11
Estilos: Indie Pop, Chamber Pop
Duração: 37:25
Nota: 2.5
Livraria Cultura: 29912476

A russa/norte-americana Regina Spektor sempre andou na linha entre a excentricidade e o convencional, mas ao mesmo tempo ela sempre pareceu estar de olho no lado comercial de suas músicas. Em What We Saw From The Cheap Seats, seu sexto disco, ela rumou de vez em direção a suas peculiaridades ao aperfeiçoar o que de melhor sabe fazer: músicas “estilo Regina Spektor” – que basicamente consistem em belas melodias de piano, uma boa exibição vocal e um ou outro elemento estranho no meio, tudo isso filtrado por letras que passam pelos mais diversos assuntos e, é claro, passando obrigatoriamente por temáticas amorosas.

Desta vez, Regina se supera em suas particularidades. Seus vocais, por vezes caricatos, acabam causando certa estranheza, como em Oh Marchello, na qual ela imita um sotaque italiano, e The Party, em que ela faz um trompete vocal, além de outras faixas em que a cantora faz a percussão ou uma espécie de tambor também usando sua voz. Essas pequenas coisas acabam sendo irritantes e não acrescentam nada ao álbum, a não ser uma grande sensação de extravagância ou algum tipo de experimentação esquisita por parte da moça.

Nas demais faixas, o álbum segue o mesmo padrão que a fez famosa: Patron Saint e Open seguem uma linha do Chamber Pop que ela sabe fazer tão bem, Jessica traz uma surpresa no disco apresentando um elegante e simples formato acústico, enquanto o primeiro single, All The Rowboats, é uma música carregada de elementos eletrônicos guiada pelo piano, formando um conjunto grandioso e forte, porém caindo mais uma vez nas extravagâncias da cantora que assume em seu vocal o papel de tambores ao final da canção.

Já as temáticas não são nada recorrentes e exploradas de maneiras diferentes e às vezes inusitadas: Firewood é uma espécie de réquiem simpaticamente surreal, ao som do leve dedilhar do piano e com um tom imperativo ao seu próprio corpo em seus versos, como “Rise from your cold hospital bed/I tell you, you’re not dying”. Como uma ácida sátira, Ballad Of A Politician traz um tom cômico e de protesto, já a estranha Oh Marchello conta a história de um mafioso. Cada música segue um tema e tem sua peculiaridade não só nos assuntos tratados, mas também nos arranjos e vocais de Regina.

Os maneirismos excêntricos da moça, com o tempo, ficam cada vez mais evidentes e seu sexto disco traz uma série deles em sequência, quase um por faixa. What We Saw From The Cheap Seats é marcado por quase nenhuma novidade e várias esquisitices. Não é um disco ruim, mas também não é bom. A fase mais Pop da moça produziu bons hits, já sua fase “experimental” não criou mais do que músicas estranhas e sem real expressividade no cenário em que Regina se encontra.

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BOM PARA QUEM OUVE: St. Vincent, She & Him, Fiona Apple
MARCADORES: Chamber Pop, Indie Pop

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts