Resenhas

Rose Windows – Rose Windows

Ambicioso, disco bota ponto final na carreira do sexteto

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Ano: 2015
Selo: Sub Pop
# Faixas: 9
Estilos: Rock Psicodélico, Blues Rock, Folk Rock, Americana
Duração: 39:01
Nota: 3.5

Apesar de ser só o segundo, este é também o último disco de Rose Windows. Uma triste coincidência que acontece justamente quando o grupo resolve autonomear sua obra – traço de bandas que acham sua sonoridade e mostram sua real identidade, como O Terno ou Interpol no acrônimo El Pintor, por exemplo. Mais que uma simples continuação de seu debut, The Sun Dogs (2013), essa é uma evolução não tão natural assim da musicalidade apresentada nele, enveredando por diversos outros rumos de uma sonoridade já incrivelmente ramificada.

Mais uma vez, o grupo aborda a World Music, trazendo traços de algumas culturas ao redor do mundo, mas dessa vez, adiciona um tanto da música sulista norte-americana: mais Rock, Blues, Folk e Americana da região. O resultado é um disco que viaja o mundo através das highways dos Estados Unidos. O vento nos cabelos hippies e a brisa interiorana estão presentes a todo momento, seja nas faixas mais calminhas, como Come Get Us Again, ou nas mais porradas, como Glory, Glory.

Se por um lado essa mudança trouxe ainda mais abrangência à música do grupo, trouxe também uma espécie de semente da discórdia, um motivo para sua separação. Apesar não ter ficado muito claro no anúncio do fim, não é difícil imaginar que haja alguma discordância quanto a que caminhos seguir em uma banda de seis músicos e com um som tão diverso – e Rose Windows é, em parte, atestado disso. Se The Sun Dogs tinha uma linha mais definida musicalmente, seu sucessor cruza essas direções o tempo todo.

O disco começa com o Folk Rock à la Band of Horses de Bodhi Song, para logo em seguida insurgir em um Rock robusto e com traços do Blues com Glory, Glory – algo que pode agradar os fãs de Led Zeppelin. A vocalista Rabia Shaheen Qazi impulsiona a terceira faixa, Blind, com seu forte vocal e expressividade ao cantar, algo que dá ainda mais vida ao ótimo híbrido entre Folk, Americana e Rock Psicodélico. Em apenas três músicas, o grupo explorou sonoridades bem distintas e isso continuará pelas demais seis canções. Certamente, um prato cheio para os nerds musicais que irão buscar referências aqui e ali, mas, talvez, um pouco assustador para o ouvinte normal.

O resultado é mais Rock, mais Blues, mais Folk, mais Americana, mais experimental, mais megalomaníaco – mais Rose Windows. Em contraponto, é ambicioso o suficiente para cindir a banda, para botar ponto final em uma história que ainda estava apenas em seu segundo capítulo. Uma pena que esse seja um adeus, mas, pelo menos, o grupo se despede de seus fãs de cabeça erguida.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts