Resenhas

Rua – Limbo

Com sensibilidade e muita poesia, banda pernambucana revela trabalho meticuloso

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Ano: 2014
# Faixas: 9
Estilos: Post-Rock, Pós-MPB
Duração: 43'
Nota: 4.5
Produção: Rua
SoundCloud: /tracks/149826575

Limbo é um grande mergulho emocional, o que é uma afirmação curiosa para um disco que parece ter sido tão milimetricamente pensado. Cabeça e coração, portanto, caminham no mesmo compasso pelas nove faixas que a banda pernambucana Rua preparou com muita poesia.

Você não precisará de muitos segundos pra perceber que adentrou um sonho. A capa, com duas pessoas nuas flutuando, expressa muito bem a sensação de ouvir o disco. Mas ele não te dá chance de adormecer, começa de sopetão com Febril e o delírio está lançado.

Arrepios. São metáforas que não precisam de muitos verbos pra narrar suas histórias, olhos abertos frente ao vento. Guitarras lacrimejam enquanto a bateria caminha para trás para falar sobre coisas muito maiores que as palavras, daí serem difíceis de entender. Esse vazio de compreensão, de léxico, parece ser o tal do “limbo” do título.

Palavras como “miragem”, “saudade”, “imagem”, “verdade” e “tempo” são algumas das que saltam aos ouvidos durante a audição, o que reforça essa impressão de uma grande subjetividade partilhada. São assuntos que conhecemos bem, mas que nunca são fáceis de se explicar. Daí, há poesia.

Ortopedia é o hit do disco e, mesmo sendo a mais acessível, é tão forte quanto as outras. É um álbum de vibe, de densidade, cheio dos perfeccionismos. Talvez você não tenha acordado pra ele hoje, deixe pra amanhã. Um dia, ele bate de uma vez. Lá dentro, não se sabe mais o que é superfície, o que é tátil e o que é reflexão.

O som não se propaga no vácuo, mas preenche o limbo. “As canções de amor esvaziam o amor”. Sim.

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BOM PARA QUEM OUVE: Lenine, Baleia, Constantina
ARTISTA: Rua
MARCADORES: Ouça, Pós-MPB, Post-Rock

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.