Resenhas

ruído/mm – Rasura

Banda curitibana chega a seu quarto disco cativando público e cumprindo seus propósitos

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Ano: 2014
Selo: Sinewave
# Faixas: 8
Estilos: Post-Rock, Rock Alternativo
Duração: 49'
Nota: 4.0
Produção: Rafael Panke

Pra alguém que estudou comunicação e artes, falar de “ruído” significa tratar sobre elementos cuja presença em uma mensagem impede que sua recepção seja ideal. Ou seja, grosso modo, é qualquer distração que ocorra na obra. Daí ser tão interessante notar como o som feito pela banda ruído/mm vai de encontro do conceito, já que ele propõe uma interessante concentração em narrativas sonoras sem palavras no álbum Rasura – cujo termo, por sua vez, indica riscar ou adulterar as partes que formam um texto. E esta amostra de autoconsciência quase irônica sobre o barulho que faz, sobre sua identidade incomodante, desperta a curiosidade para a beleza surpreendente de muitas de suas composições.

Este é o quarto álbum do grupo curitibano e sua maturidade é latente. Ele traz, como o release de imprensa define, uma “viagem sensorial” para o ouvinte “fechar os olhos e abrir a mente” por oito faixas com aquilo que os fãs de Post-Rock estão habituados – longas jornadas por dinâmicas desapressadas de sons que as guitarras guiam pelas mãos. A contemplação é tanto objetivo quanto dádiva, principalmente em faixas como Eletrostática. Transibéria e Penhascos, Desfiladeiros e outros Sonhos de Fuga, mas algumas se mostram mais “pés no chão” (ao menos em relação às outras do disco), como Inconstantina e Cromaqui, e há ainda espaço para exercícios ainda mais livres de criatividade e narrativa, como Requiem for a Western Manga. Disso tudo, o destaque fica mesmo com as mais “viajadas” no sentido mais Post-Rock do termo.

E é o tipo de trabalho que te deixa na ponta dos pés o tempo todo para notar tudo o que está acontecendo – seja nas intrusões dos timbres, nas referências musicais e pictóricas/mnemônicas que composições sem palavras nos permitem identificar, de forma altamente subjetiva. E a maior impressão que fica é essa, que este “ruído”, ao invés de atrapalhar a mensagem, convida o ouvinte para participar dela. Inegavelmente um grande disco que deve ser admirado por todos os que curtem sons deste estilo e destas propostas.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.