Resenhas

SASAMI – SASAMI

Primeiro disco de veterana musicista usa várias referências em prol de despertar curiosidade no ouvinte

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Ano: 2019
Selo: Domino
# Faixas: 10
Duração: 40:14
Nota: 3.5
Produção: Sasami Ashworth,Thomas Dolas e Joo-Joo Ashworth

A norte-americana Sasami Ashworth (sob nome estilizado como SASAMI) percorreu um conhecido caminho daqueles artistas que nomeamos injustamente como “novatos” e/ou estreantes. Seu contato com a música já é de longa data, tendo a oportunidade de trabalhar com artistas como Cherry Glazer, Dirt Dress, Wild Nothing e Curtis Harding.

Além disso, suas funções nestas parcerias ultrapassavam a produção, contribuindo enquanto musicista tocando baixo, teclado, guitarra, trompa, e bolando arranjos de cordas e sopros. Assim, chamá-la de novata é uma injustiça frente a tantas experiências ricas e que logo despertaram a necessidade de assumir um projeto apenas seu, usando seu talento direcionado para expressar aquilo que quer e nada mais.

Desta forma, seu primeiro e autointitulado disco toma forma tentando reunir tudo aquilo que a compositora e produtora é, e, nessa tentativa, somos surpreendidos com uma dinâmica curiosa na qual ouvimos uma sonoridade que evoca muitas referências, mas é ao mesmo tempo bastante autêntica em sua proposta. Mergulhar em SASAMI logo deixa claro um tempero Shoegaze, daquele Rock meio desleixado do começo dos anos 90, sugerindo que a compositora gastou muito tempo da adolescência escutando My Bloody Valentine e Sleater-Kinney.

Entretanto, os arranjos pedem do ouvinte uma investigação e atenção bem profunda, pois quando menos esperamos, estamos imersos em um meio de texturas que beiram o Psicodélico, mas também puxam melodias e ambientes do Post-Rock. O grande barato do disco não é defini-los de forma precisa, mas compreender como todos os elementos estão dispostos estrategicamente e de que forma a experiência de SASAMI é muito valiosa para construir estas sonoridades ricas que acordam diferentes lados de nossa personalidade. As mesmas faixas que podem deixar algumas pessoas mais melancólicas, podem despertar uma lisergia intensa em outros.

Suave e envolvente, I Was A Window é boa em preparar o ouvinte para adentrar no universo criado, disfarçada de uma balada Dream Pop/Psicodélica simples, mas que quando o ouvinte se dá conta, logo percebe que já está à deriva de SASAMI. Free capricha no Shoegaze, garantindo a potência da melodia em um simples arranjo de voz e guitarra (mandando ver nos barulhos como uma espécie de recurso interpretativo). Pacify My Heart é suave na disposição dos instrumentos, mas traz um equilíbrio sinuoso entre a tensão e alívio, como uma música de Mitski só que com a intensidade de um Mogwai.

Em tons Lo-fi, Jealously é uma espécie de bad trip de ácido, com elementos pescando nossa atenção, principalmente no refrão em que as vozes atordoantes não param de soar. Por fim, Turned Out I Was Everyone nos prepara para voltar à realidade, com pads hipnotizantes e envolventes que nos carregam de volta para a lucidez, não sem antes deixar uma aura nostálgica entre os versos desta canção.

As diversas experiências que este primeiro disco pode sugerir para nós são o que trazem a SASAMI um destaque por si só, sem precisar se filiar a nenhum outro artista. A sua experiência enquanto produtora certamente contribui em tornar esta audição algo subjetivo, mas que a princípio é algo próprio dela. Um disco que se encaixa em nossas vivências, mas ao mesmo tempo conta uma história rica.

(SASAMI em uma faixa: Pacify My Heart)

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BOM PARA QUEM OUVE: Mitski, Yuck
ARTISTA: SASAMI
MARCADORES: Shoegaze

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.