Resenhas

School Of Seven Bells – SVIIB

Ícone do Dream Pop lança o último álbum de sua carreira

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Ano: 2016
Selo: Vagrant Records
# Faixas: 9
Estilos: Dream Pop, Eletrônica
Duração: 41
Nota: 3.5
Produção: Justin Meldal-Johnsen

Chegar ao fim anunciado de uma banda, com um ótimo álbum para encerrar o ciclo de sua existência, é uma coisa rara. Claro, é comum assistirmos ao fim de inúmeros projetos, mas quantos deles concluem sua trajetória de forma consciente, do tipo “aqui está o último trabalho de nossa carreira”?

Uma das belezas intrínsecas de SVIIB é ser o passo derradeiro da trajetória de School of Seven Bells, seu último ato. Além disso, temos motivo pelo qual o grupo encerra suas atividades. School of Seven Bells nasce da amizade entre a vocalista Alejandra Deheza, sua irmã Claudia Deheza e o produtor e instrumentista Benjamin Curtis. Afinal, a parceria entre Alejandra e Benjamin se transfigura em um romance entre os dois. Algum tempo depois, Claudia se afasta do projeto por motivos pessoais, enquanto os integrantes remanescentes terminam seu relacionamento romântico (embora consigam manter a amizade intensa em sua parceria criativa). Afinal, em 2012, Curtis é diagnosticado com um linfoma, vindo a falecer no período de um ano.

School of Seven Bells, nos quase dez anos de sua trajetória, afinal, assiste a um ciclo completo de existência, recheado de amizades, amores, desentendimentos, reconciliações e, enfim, marcado pela morte. Alejandra Deheza é a protagonista desse movimento, assumindo uma espécie de persona de “mártir” às avessas. É a ela, única remanescente da banda, quem cabe amarrar as pontas soltas, confrontar o passado, perdoar e homenagear a história de sua banda e de seus integrantes.

SVIIB é recheado de células criadas por Deheza e Curtis ainda em 2012, agora finalizadas graças ao auxílio do produtor convidado Justin Meldal-Johnsen. Todavia, diferentemente do que se pode imaginar, o trabalho não é marcado pelo luto e pela melancolia (exceto, talvez, pela presença da faixa Confusion, composta já em 2013 e com a consciência da doença de Curtis), mas sim por um caráter upbeat e dançante que configuram muito mais uma espécie, como já dito, de homenagem à banda.

Fora isso, não resta muito o que ser dito a respeito da sonoridade do trabalho em si, essa já se mostra evidente como é: faixas Dream Pop com diversas referências eletrônicas oitentistas. Vale destacar, talvez, como um sintoma, a voz gélida e aveludada de Deheza como protagonista, que soa mais solitária do que nunca.

Não à toa, esse trabalho é autointitulado. Aqui, apresenta-se marcado pela sigla que algarismos romanos, como se para encerrar a era da existência de um dos marcos do Dream Pop para nossa música contemporânea.

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BOM PARA QUEM OUVE: Beach House, Grimes, Washed Out
MARCADORES: Dream Pop, Eletrônica

Autor:

é músico e escreve sobre arte