Resenhas

Scott Walker – Bish Bosch

Décimo quarto disco do músico explora paisagens experimentais e aterradoras que cumprem a missão de chocar seu ouvinte

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Ano: 2012
Selo: 4AD
# Faixas: 9
Estilos: Art Rock, Avant-Garde, Experimental
Duração: 73:00
Nota: 3.0
Produção: Scott Walker, Peter Walsh

Este é, sobretudo, um disco caótico, com uma grande mistura de inúmeros elementos que parecem jogados em um liquidificador e misturados até formar essa massa incongruente que é Bish Bosch.

Eu não tenho dúvidas que muita gente pode ter encontrado diversos significados nas letras subversivas, na teatralidade que Scott Walker traz ao álbum, ou até mesmo nos tantos elementos que ele une em sua obra, porém tudo isso posto em forma de álbum (com duração que ultrapassa os 70 minutos) cria, acima de tudo, uma grande sensação de estranheza. E talvez esse seja o seu grande problema: se apoiar tanto nesse aspecto freak.

Esse me parece um disco em que Scott Walker tenta em muitos momentos chocar os ouvintes, seja pelo teor de suas letras ou simplesmente por colocar sons dispersos como o de facas sendo afiadas, cachorros latindo, sinos tocando e texturas estranhas no meio de suas canções. Em certos momentos, até mesmo o silêncio é usado para criar suas paisagens surrealistas.

Passada essa primeira sensação de estranheza, você vai encontrar bons momentos dentro do disco e não só o caos. Nessas partes especificas, Walker consegue manter certa coesão e ultrapassar a barreira da estranheza. Um exemplo disso é a faixa Phrasing, que, apesar de apresentar muitas esquisitices como a união de uma escola de samba a timbres de guitarra que parecem tiradas do Metal, traz ótimos riffs de guitarra e uma linha de baixo muito consistente. A canção apresenta um fim apoteótico que corrobora todo o clima soturno e sujo da faixa enquanto Scott repete “Here’s to a lousy life”.

Ou ainda o clímax do álbum, em sua faixa mais longa, SDSS14+13B (Zercon, A Flagpole Sitter), que ultrapassa os 21 minutos de duração. Ela é constantemente permeada por caóticas mudanças que criam cenários aterradores e etéreos que desafiam o ouvinte a superar seu asco e cavar mais fundo em busca de algo palpável. Em Epizootics!, a percussão forte e marcante une-se a uma sessão de metais, enquanto Scott e seu vocal barítono canta, grita e sussurra suas letras. A faixa ainda apresenta texturas e sintetizadores que entram e saem no meio da canção e contribuem na construção de seu clima caótico.

Sobretudo, esse é um disco difícil e nada acessível. Mesmo que ele ande sobre os terrenos áridos da Música Avant-Garde, Experimental e Art-Rock, seu resultado final parece chocar muito mais que comunicar suas pretensões.

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BOM PARA QUEM OUVE: Xiu Xiu, of Montreal, Field Music
ARTISTA: Scott Walker

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts