Resenhas

Sean Lennon – Alter Egos

Filho de ex-Beatles é responsável pela trilha sonora do filme, que se destaca por se distanciar do padrão que o quarteto propunha

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Ano: 2013
# Faixas: 22
Estilos: Trilha Sonora
Duração: 45:17
Nota: 3.0
Produção: Sean Lennon

Alter Egos é um filmeco independente sobre a já surrada temática do mito sobre o super-herói. Neste caso, a história sobre heróis que perdem o apoio do governo (?!?) e vêem sua popularidade despencar entre a população é o que menos importa por aqui, uma vez que ninguém menos que Sean Lennon está no comando da trilha sonora. Sean nunca foi exatamente um artista forte, capaz de se livrar da sombra do pai mas, convenhamos, o sujeito merece nosso crédito por nunca ter se acomodado na sonoridade beatle e, a partir dela, tocar o seu trabalho.

Há quatro anos, Sean produziu sua primeira trilha para o cinema. O filme, uma adaptação amalucada de Hamlet, de Shakespeare, chamava-se Rosencrantz & Guildenstern Are Undead, que passou longe das telas brasileiras, dirigido pelo amigo de Sean, Jordan Galland. O filme e a trilha eram fracos, azar de principiante no ofício de juntar música com som, algo que parece fácil mas não é. Houve uma melhora acentuada em Alter Egos que, por coincidência, é cria do mesmo Galland. A trilha consegue muito mais destaque desta vez. Partindo de paisagens sonoras quase sempre instrumentais, ora entremeadas por diálogos, ora não, Sean consegue se valer dos temas orquestrais e das emulações rock simpáticas, como em Emily vs. Claudel que tangencia a surf music estilizada e se sai muito bem. O artifício dos diálogos cortando as peças orquestrais é outro ponto a favore concede à trilha uma aura vintage que se sustenta.

A música, no entanto, não fica apenas nisso. Há alternância de guitarras e bateria The Dance Pt. 1 que desembocam num rockabilly inesperado, em Fridge Walks temos um híbrido eletro-qualquer coisa, que cheira a anos 80, emulando sons e efeitos de teclado Casio, servindo de tema para um dos protagonistas do filme. Como brinde, surgem os vocais da velha colaboradora Miho Hatori, do Cibo Matto. Alter Egos, a trilha, merece uma conferida, mesmo que não seja a salvação da lavoura, serve para dar fôlego à carreira de Sean Lennon e mostrar que ele tem talento suficiente para cavar seu lugar ao sol, livre da sombra do sobrenome.

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ARTISTA: Sean Lennon
MARCADORES: Trilha Sonora

Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.