Selton – Loreto Paradiso

Quarteto amadurece com som divertido e bem feito

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Ano: 2016
Selo: Sony Music
# Faixas: 10
Estilos: Indie Rock, Synthpop, Pop Alternativo
Duração: 31:00
Nota: 4.0
Produção: Tommaso Colliva

Selton é, talvez, uma das bandas mais felizes do mundo. Os quatro garotos desde cedo estabeleceram que o mundo seria sua casa, e os diferentes países em que moraram serviriam para moldar pouco a pouco sua sonoridade, tão diversa quanto interessante. Flertando bastante com o Indie Rock, as composições demonstravam um tom extremamente otimista e engraçado, seja pelas ironias presentes em suas letras ou por uma produção afiada e bem feito de um veterano do Indie, Tomasso Colliva.

Assim, com o anúncio de um novo trabalho a caminho e singles que pareciam evidenciar cada vez mais o talento comunicativo natural dos meninos, tal como verdadeiros radialistas dos anos 1940, foi natural que uma considerável expectativa fosse criada, principalmente sobre como a banda enfrentaria o teste fatídico do segundo disco: eles permaneceriam no mundo da juventude ou arriscariam alguns passos em direção a uma maior maturidade artítisca?

Enfim, o disco chegou e Loreto Paradiso mostrou ser um momento bastante específico e benéfico na carreira do grupo ítalo-brasileiro. É como se, agora, a banda não fosse mais o adolescente ácido e sarcástico da época de Saudade, mas um jovem adulto maduro e seguro das responsabilidades que tem. É difícil superar o álbum de estreia, mas certamente o novo trabalho traz perspectivas bem interessantes para um futuro promissor. Há certamente muito mais experimentação no que diz respeito à escolhe de timbres, fazendo com que a sonoridade conhecida do grupo se mantenha, mas ganhe uma nova dinâmica, se reinventando. São os mesmo garotos de outrora mas, ao mesmo tempo, não são os mesmos.

É um registro com referências mais limpas do que o Indie Rock sujinho do primeiro disco, montando assim um imaginário de preocupações jovem adultas. Desta forma, Loreto Paradiso vem acompanhado de uma série de precauções e cuidados que Selton foi plenamente capaz de domar a ponto de produzir um disco que é tão interessante quanto o primeiro, mostrando assim sinais de uma evolução natural e muito frutífera.

Um disco para rir e chorar, fazendo a banda decolar para uma futuro promissor.

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BOM PARA QUEM OUVE: Vampire Weekend, The Rapture
ARTISTA: Selton

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.