Resenhas

Sexwitch – Sexwitch

Projeto paralelo de Natasha Khan é forte, autêntico e envolvente

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Ano: 2015
Selo: BMG
# Faixas: 6
Estilos: Experimental, Eletrônico, Étnico
Duração: 33:00
Nota: 4.0
Produção: Dan Carey

As bruxas existem e Natasha Khan é uma delas. Mais conhecida por integrar Bat For Lashes, a artista sempre se mostrou inclinada em demonstrar sua arte por meio de performances altamente simbólicas e discos bastante modernos no que diz respeito a ausência de formas estáticas de composição. Assim, quando anunciado que, junto ao produtor Dan Carey e os membros da banda de Rock Psicodélico Toy, ela lançaria um projeto paralelo chamado Sexwitch, uma grande expectativa se formou a respeito de como o disco iria soar, se teríamos alguma semelhança com sua banda principal e se as influências dos outros músicos iria afetar de algum modo a qualidade impecável pela qual Natasha prima. Estávamos enganados, porém despreparados para vivenciar este trabalho.

Autointitulado, o primeiro disco mostra a criação (ou exploração) de um gênero único que pretende misturar as nuances hipnotizantes de um verdadeiro ritual pagão com ritmos e batidas constantes advindas da música Eletrônica e da psicodelia moderna de Toy. Entramos em transe ao percorrer as seis faixas de pequeno registro, fruto de uma próxima relação entre a performance vocal estarrecedora de Natasha com a produção afiada e certeira de Dan Carey.

Com bases constantes, a vocalista nos conduz por este território que, a princípio, nos parece hostil, mas logo consegue pescar a atenção do ouvinte e fazê-lo vivenciar uma experiência extrassensorial, quase como uma projeção astral. E mais louvável que isso, é que o grupo compões estas faixas de um modo nenhum pouco estereotipado e com muito conhecimento daquilo que propõe comunicar.

Talvez seja um dos EPs mais autênticos do ano, que consegue encontrar na música Experimental novas formas de relação e perspectivas para com o ouvinte. É um trabalho de extensa pesquisa musical e construída de uma forma sólida, no qual o som de Sexwitch é imediatamente percebido. Estamos diante de um nome que pode ser mais forte do que os projetos principais de seus integrantes e que desejamos fortemente poder escutar mais músicas em um futuro próximo. Ou até mesmo shows em terras brasileiras que, com certeza, deve fazer jus ao aspecto ritualístico e bruxo do trabalho.

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BOM PARA QUEM OUVE: Agorera, Savages, Warpaint
ARTISTA: Sexwitch

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.