Resenhas

Shura — forevher

A britânica mergulhou em um romance para sair dele com um disco espiritualizado, poderoso e direto

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Ano: 2019
Selo: Secretly Canadian
# Faixas: 11
Estilos: R&B, Chillpop, Dream Pop
Duração: 44’
Nota: 4
Produção: Shura, Joel Laslett Pott e Jono Ma

Em um mundo no qual o lacre dos protagonistas parece importar mais do que as mensagens que eles tentam transmitir, Shura foge à regra e, com clareza, espalha palavras de aceitação – principalmente no que toca a população LGBTQI.

O clipe para o single “Touch” de Nothing’s Real (2016) é um bom exemplo disso. Nele, casais homoafetivos vivem momentos bonitos de intimidade juntos com a música da britânica de fundo. Conectar-se com quem a ouve é importante para a artista que, em seu novo registro, propõe uma experiência quase espiritual. forevher representa um passo adiante nesta mesma trajetória, uma continuação sagaz que aposta em menos brilho e mais conteúdo.

As referências nostálgicas ao Pop dos anos 1980 ainda persistem, é claro, mas chegam enxutas. De certa forma, fica uma sensação de leveza no ouvinte que se propõe a atravessar as músicas do LP. Se em Nothing’s Real o que prende o ouvinte é a complexidade das sonoridades, em forevher alia-se a elas o conteúdo das letras. Aqui, Shura se abre para falar do que é relacionar-se com uma outra mulher.

Com suas composições comoventes, a cantora revela diferentes circunstâncias vividas por alguém que ama um outro alguém em tempos de ódio: a saudade, a novidade dos corpos, os atritos, as reconciliações… É como se ela resumisse nessa narrativa embaralhada os capítulos de uma história fundamental dos apaixonados. Não à toa, o título do disco é um amálgama entre as palavras “forever” (“para sempre”) e “her” (“ela”).

Shura ganha pontos ao não só colocar o amor queer no mesmo patamar dos outros tipos de amor, mas também ao fazer uma ode a ele. Ao terminar a audição, o ouvinte sabe que, para ela, essas paixões acontecem em uma esfera que extrapola o mundo físico, as cronologias pré-estabelecidas, a estabilidade. São as antíteses desses conceitos que guiam a britânica neste disco que, definitivamente, merece o ouvido dos românticos crônicos da geração millennial.

(forevher em uma faixa: “religion (u can lay your hand on me)”)

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ARTISTA: Shura
MARCADORES: Chillpop, Dream Pop, R&B

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.