SILVA – Vista pro Mar

Segundo trabalho do músico é o primeiro feito apenas com inéditas e o resultado é melhor do que o esperado

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Ano: 2014
Selo: SLAP
# Faixas: 11
Estilos: Pop Alternativo, Pop, Synthpop
Duração: 48'
Nota: 4.5

SILVA mostrou seu valor desde o início de sua carreira, muito antes do lançamento de Claridão (2012), já que o disco chegou com seis músicas que já conhecíamos de seus EPs anteriores. Com isso, Vista pro Mar entrará para a discografia do capixaba Lúcio Souza como seu segundo álbum, mas carrega nos ombros onze faixas pensadas só para ele e uma identidade ainda mais própria que o anterior, dois fatores que contribuíram para a qualidade final da obra.

O mar do título tem o som de suas ondas aqui e ali entre as músicas, além de denotar o clima praiano que muitas das composições trazem (e você vai ouvir um ou outro timbre caribenho aqui e ali), tudo envolto em uma produção que parece ter investido em menos camadas, um som mais limpo do que em músicas anteriores, como 2012 ou a própria Claridão.

Vista pro Mar, a faixa, abre o trabalho e já mostra muito do que ouviremos nos próximos 48 minutos (tempo que passa bem rápido e, se você se descuidar, logo vem um repeat e mais outro, mais outro e outro). É uma música animada, que coloca o agradável timbre do cantor em um universo contemporâneo alinhado às tendências e, como eu disse, dentro de uma estética de teclados e percussão eletrônica que se mistura às ondas em trechos específicos do disco. É um clima de fechar os olhos e de dançar, ou os dois ao mesmo tempo.

As músicas apresentadas antes do lançamento (Janeiro, É Preciso Dizer, Universo e Okinawa) mostram bastante do clima que o disco segue e carregam todas essas características. Se todas são ótimas, confesso que elas não são necessariamente as melhores. A pegada dançante-romântica de Disco Novo, Entardecer e Capuba serão surpreendentes candidatas às favoritas de quem se aventurar pelo disco, papel que músicas como Falando Sério, Ventania e Moletom tiveram no disco anterior. Agora, surpresa mesmo vem com Ainda – tanto que ousarei não comentar muito para não estragar sua audição quando chegar nesta faixa. Sai o mar, entram passarinhos e a segunda balada do álbum encanta facilmente.

E, mais uma vez, SILVA fez um disco sem nenhuma música ruim. Mais que isso, cada uma delas possui algum elemento marcante que quase rouba sua atenção (pode ser o baixo, os sintetizadores ou mesmo a voz de Lúcio), mas sabe dividir bem seu espaço com todos os elementos na faixa. Podemos argumentar que as onze composições são, na maioria, um pouco parecidas demais entre si, ou que elas tem menor potencial de “hit” em relação às de Claridão, mas nada disso atrapalha a audição. Acredite, quando a última faixa, Maré, surgir, você já estará totalmente contagiado pelo clima do registro.

Vista pro Mar estabelece, já no título, a perspectiva de quem está em terra firme mirando o azul do horizonte. No caso de SILVA, como já suspeitávamos, sua carreira possui esta amplitude quando contemplada daqui em relação ao futuro. Como poeta, como cantor, como artista – Lúcio pode mergulhar à vontade.

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ARTISTA: SILVA

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.