Resenhas

Sleigh Bells – Jessica Rabbit

Quarto disco amplifica o estilo abrasivo de duo nova-iorquino

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Ano: 2016
Selo: Torn Clean
# Faixas: 14
Estilos: Indie Pop, Glam Rock, Industrial
Duração: 43:03
Nota: 1.5
Produção: Derek E. Miller

Sleigh Bells, é um duo nova-iorquino integrado pela vocalista Alexis Krauss e pelo guitarrista e produtor Derek E. Miller. Seis anos após seu debute de sucesso, intitulado Treats, o grupo chega com Jessica Rabbit, o quarto álbum de seu currículo.

Os primeiros versos da faixa Crucible, que dizem “ripped up, shredded, denied, in denial. Desperate moments collide and define you”, são a epítome perfeita do que é a banda neste trabalho. Blocos empilhados de bateria eletrônica e riffs entrecortados de guitarra distorcida são os “pedaços rasgados” que marcam a parte instrumental. “Rejeitado, em negação”, por sua vez, é o tom assumido pelos temas das letras, focados obsessivamente em conflitos de relacionamento. “Momentos desesperados”, ou exagerados, que resultam da confusão sonora e do drama de seus versos, são, de fato, o que definem Sleigh Bells em Jessica Rabbit.

A banda segue mais ou menos o mesmo caminho que trilhou em seus álbuns anteriores, criando uma assinatura própria ao misturar elementos do Glam Rock com a música Eletrônica Industrial, somando a estes alguns elementos do Indie Pop e do Punk. A diferença entre o passado da banda e sua nova fase, no entanto, é que tudo em Jessica Rabbit parece amplificado. Se tentar descrever do estilo escolhido pelo duo já soa como uma confusão de conceitos empilhados, ouví-lo é como atravessar um labirinto tumultuado.

Momentos em que a bateria simplesmente desaparece para retornar de surpresa com outro andamento, e outros em que a guitarra compete contra si mesma, em três riffs sobrepostos, podem ser uma tentativa de acompanhar o momento fértil de uma fatia da música eletrônica – vista em Bon Iver e seu 22, A Million, por exemplo – que desconstrói a própria estrutura, evidenciado a essência de suas músicas. Aqui, contudo, a estratégia parece forçada, e demonstram uma vaidade arbitrária na hora de compor, que abdica da generosidade com o ouvinte e contra a própria canção em si em favor de uma assinatura artificial.

Os versos sintomáticos que citei no início do segundo parágrafo, assim como a obsessão amorosa cartunesca da personagem escolhida para seu título, mostram que o projeto adotado por Sleigh Bells é consciente, e fazem parte de um plano que parece calcar-se na identidade construída pelo grupo em seus álbuns anteriores para amplificá-lo. O resultado, afinal, é desencontrado.

(Jessica Rabbit em uma música: Crucible)

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BOM PARA QUEM OUVE: Jessie J, Phantogram, Cults
ARTISTA: Sleigh Bells

Autor:

é músico e escreve sobre arte