Resenhas

Small Black – Best Blues

Novo disco do grupo é um exercício à memória feito através de paisagens relaxadas

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Ano: 2015
Selo: Jagjaguwar
# Faixas: 10
Estilos: Chillwave, Dream Pop
Duração: 44:00
Nota: 3.0
Produção: Small Blacks

Se a primeira impressão é a que fica, a capa de Best Blues nos emprega de imediato a nostalgia. O imagético de uma foto descolorida é, no mínimo, sensível para quem se pega pensando constantemente no passado. Ao mesmo tempo, a escolha não se prova aleatória quando ouvimos Small Black em uma obra que também exprime a vocação dos norte-americanos por sonoridades relaxadas.

A sua discografia nunca se mostrou apta para momentos carregados de Pop, apesar de um dos principais estilos notados em suas músicas seja justamente o Dream Pop (irmão mais novo e sereno do Shoegaze). Discos como Real People nos mostram que o gosto por agradar a todos não fazia parte de suas intenções, já a viagem sonora e as palhetas de cores alaranjadas – dominantes em seus lançamentos feitos pelo selo Jagjaguwar – sim. No entanto,Best Blues não demora muito para nos convencer que novos valores estão em pauta.

Personal Best, No One Wants It to Happen to You e Boys Life partem por lados inesperados do grupo ao sair do Chillwave inicial e caminhar pelo Eletrônico dançante de nomes como Miami Horror ou Cut Copy. Os passos inevitáveis nos trazem uma sensação de leveza e alegria, talvez proporcionados pela constante busca de memórias passadas seja através de um synth carregado de delay, na bateria eletrônica dos anos 1980 ou nas belas vozes, agora cheias do Pop outrora inexistente.

Algumas faixas provam ter um instrumental ímpar, como The Closer I Look e seu baixo reticente e desfigurado do resto de seus pares musicais – é nesse momento que encontramos a intenção mnemónica de Small Black. A palavra que caracteriza o auxílio à memória, ou seja, o ato de guardar dados a partir de associações de pessoais, espaciais ou de relevantes, aparece aqui de uma forma diferente: pede ao ouvinte relembrar sua vida e sensações em algumas canções particulares por acordes e vocais viajantes.

Os maiores exemplos dessa contastação aparecem na belíssima Back at Belle’s, Shoegaze que retorna a um dia distante e alegre logo em sua primeira melodia, enquanto Between Leos é provavelmente o grande momento inspirado do disco. Lembra-me as belas composições que Bruce Springsteen fazia na década perdida e, apesar de não ser inovadora, traz uma paz de espírito incomum.

Best Blues não procura ser um grande protagonista na consolidada cena que abraça os gêneros citados e isso está claro desde o início. No entanto, seu resultado final é melhor que o esperado e o relaxamento proporcionado pelo disco se mostra condizente com o que queremos em épocas de crise: relembrar que já fomos melhores e está tudo bem.

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BOM PARA QUEM OUVE: Wild Nothing, Quarto Negro, Washed Out
ARTISTA: Small Black
MARCADORES: Chillwave, Dream Pop

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.