SOHN – Rennen

Segundo disco de produtor inglês traz grande maturidade em expressar sua dor

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Ano: 2017
Selo: 4AD
# Faixas: 10
Estilos: Indie Eletrônico, Synthpop, Experimental
Duração: 37:54
Nota: 3.5
Produção: SOHN e Royce Wood Junior

Com a rapidez que os lançamentos são empilhados em nossos iPods, é difícil perceber o quanto cada álbum escutado é uma expressão íntima do artista. Demoramos pouco menos de uma hora para degustar um trabalho e, mesmo que o escutemos mais tarde, não chegamos a nem arranhar a importância emocional que os discos podem ter. Podemos ter uma ideia bem clara, mas a percepção plena jamais será compreendida em sua integralidade, ainda mais porque isso é um processo que nem sempre alcança seu potencial comunicativo nos primeiros discos.

Atualmente, o produtor inglês SOHN encara este desafio. Com um disco de estreia marcante pela ousadia harmônica com o Pop/Chillwave, ele tem buscado sonoridades cada vez mais condizentes com seu imaginário e é talvez por isso que seu primeiro trabalho tenha soado um tanto quanto um grande laboratório de tentativas e erros. Felizmente, as coisas parecem caminhar em uma direção fantástica e atormentada, ao mesmo tempo.

Rennen inaugura uma fase de certezas para a sonoridade do produtor. Apostando em estruturas menos rígidas, sonoridades mais simples e melodias bastante pegajosas, SOHN começa a criar as regras oficiais para sua gramática e, dessa forma, consegue expressar com mais emoção e franqueza tudo aquilo que talvez tenha ficado um tanto nebuloso em seu disco de estreia. Sua voz entoa melodias que flertam com o R&B e o Pop, expressando tons melancólicos que conseguem nos passar um pouco da dor sofrida, bem com amargas conclusões de eventos passados.

Hard Liquor cria com sintetizadores macabros e assustadores uma camada que nos mostra de cara que ambiente SOHN cultivou para nos mostrar neste trabalho. Signal mostra que a soturnidade não é explorada apenas a partir dos estereótipos, mas também de uma letra melancólica e timbres ácidos. Primary é uma das faixas mais introspectivas e dolorosas do disco, principalmente quando a letra alcança seu ápice em “We all believe we were better than this/We are not better than this”. Proof traz batidas mais agitadas, mas trabalha com arranjos tensos quase como se fosse um Timbaland tendo pesadelos constantes.

SOHN consegue superar sua estreia e dá uma lição de como passar pelo “teste do segundo disco”. É uma obra de difícil de enfrentar e que arranha um terreno muito doloroso do passado do produtor inglês. Novos caminhos podem apontar uma direção cada vez mais sincera, mas é, sem dúvidas, um ponto divisor de águas em sua carreira.

(Rennen em uma faixa: Primary)

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BOM PARA QUEM OUVE: Kyle Dion, Gallant, The Weeknd
ARTISTA: SOHN

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.