Resenhas

Soko – I Thought I Was an Alien

O primeiro álbum da atriz e cantora francesa se propõe a ser mais intenso e emocional do que realmente é, peca por ser freak demais e deve agradar apenas quem realmente se identificar com suas letras

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Ano: 2012
Selo: Babycat Records
# Faixas: 15
Estilos: Indie Pop, Indie Folk, Pop Folk
Duração: 48:15
Nota: 2.0

“Você me descubrirá através das minhas músicas”, começa a primeira faixa do disco I Thought I Was an Alien, e a estrofe termina com “E eu espero que não me odeie”, esclarecendo que Soko sabe o risco que corre ao abrir o coração para quem quer que ouça seu disco. E claro que é possível que você a odeie, ou a ame, mas se depender do álbum, é bem capaz que você permaneça na indiferença.

Não que ela faça feio neste seu primeiro LP, mas as 15 faixas escolhidas não compõe um trabalho necessariamente bom – homogêneo, coeso, mas não muito bom. Talvez, tenha um apelo maior entre uma determinada fatia de público, ao mesmo tempo feminino e melancólico, mas não deve emocionar muito quem não pode ser descrito assim.

E emoções são a matéria prima para as músicas da francesa, que ficou conhecida em seu país natal (e fora dele) com seu trabalho como atriz, o single I’ll Kill Her e o EP Not Sokute. No meio tempo entre esses e o LP, ela se dedicou às artes cênicas e passou por um processo de “morte e renascimento” para abrir seu coração nas novas composições.

Don’t You Touch Me se destaca ao atingir melhor que as outras a intensidade em letra e música em que a obra parece querer chegar, com uma tensão interessante entre a bateria, a guitarra e alguns momentos quase entre as estrofes. Sua experiência como atriz ajuda canções como For Marlon e Treat Your Woman Right a ganharem vantagem sobre as demais com um bom peso interpretativo. Enquanto isso, No More Home, No More Lies é bem simpática e Happy Hippie Birthday pode ser facilmente chamada de “fofa”. E só.

O resto do álbum traz “mais do mesmo” a cada faixa, algumas tediosas e outras, digamos, incompreensíveis – caso de You Have a Power On Me, que encerra o disco com uma vibe quase infantil, um pouco freak e de muito mau gosto. Talvez exista aqui uma necessidade de se desvincilhar do Pop para ganhar o respeito do meio Indie (até por que é uma francesa cantando em inglês – o cúmulo do popular em seu país), mas acaba tendo fortes chances de cair no esquecimento da maioria dos ouvintes.

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BOM PARA QUEM OUVE: Sharon Van Etten, Perfume Genius, Feist
ARTISTA: Soko

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.