Resenhas

Solange – True

Recém chegada à território alternativo, a geração mais nova da família Knowles não decepciona e mostra potencial interessante para futuro disco

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Ano: 2012
Selo: Terrible Records
# Faixas: 7
Estilos: Pop, Minimal, Eletrônica, Neo Soul
Duração: 27:58
Nota: 3.5
Produção: Dév Hynes

Traços positivos e negativos ligados à herança genética podem se manifestar nas gerações sucessoras das maneiras mais variáveis possíveis – seja em um trejeito, uma linha de pensamento, uma mania incorrigível ou um talento específico como a ligação com a música e a flexibilidade vocal, como acontece em parte dos membros da família Knowles. Um dos lados, que atende pela alcunha de Beyoncé, teve início em um trio e atualmente resplandece em um altar envolvido por sua carreira solo perante a mídia e segue em base sólida para os anos seguintes. A faceta que atende pelo nome de Solange esmerou-se inicialmente nos mesmos passos de sua irmã, que já trilhava um caminho menos tortuoso, mas não vingou com a mesma eficácia devido à ligação direta entre si. Em pesquisa mais profunda pelo seu próprio estilo, o plano B de Solange acabou por tornar-se seu ideal primordial.

A musicista explorou seu lado mais criativo ao passo em que via que o som plastificado e pré-concebido das rádios FM não se encaixavam mais plenamente em seu novo rumo. Os DJ-sets já eram preenchidos com novas referências e as participações especiais em produções musicais ou passagens rápidas por shows de bandas como Grizzly Bear, Of Montreal, Dirty Projectors e Chromeo. Uma das tais coligações com as bandas que figuram o cenário mais alternativo rendeu à cantora uma proximidade maior a Dév Hynes, com quem também trabalho em seu projeto solo Blood Orange. O músico, que também é produtor, abraçou o ideal da irmã caçula de Beyoncé e mais casos parecidos que se encontravam perdidos após a desilusão através de sonoridades pasteurizadas, como aconteceu com Sky Ferreira.

A nova fase da Knowles mais jovem promove uma jornada aventureira dentro da música Pop, somando-a aos demais nomes que também brincam com o minimalismo por refrões que permeiam sem soar plenamente óbvios, ou através de melodias mais arriscadas e estrategicamente pensadas, nas quais as táticas e vínculos marketeiros ligadas a um lucro infindável passam longe do conceito principal. True traz em sete faixas nuances de tudo aquilo que deve preencher o disco completo previsto para 2013.

A ligação plena com o R&B solta as amarras e vem em versão menos pura, se aproximando do Neo Soul, acompanhada de percussões tribais e eletrônicas ao mesmo passo e sintetizadores são introduzidos afiadamente e com precisão. A faixa Losing You também traz o olhar de Kevin Barnes em sua produção e sintetiza igualmente tudo o que Solange almeja colocar a longo prazo em álbum, em versos românticos as canções Lovers In the Parking Lot e Don’t Let Me Down flertam com o passado e assemelham suas inspirações iniciais, mas não perdem seu foco. Músicas como Locked In Closets e Look Good In Trouble trazem mais espaços vazios e a percepção de instrumentos e sonoridades orgânicas mais frequentemente, mostrando traços de experimentação.

O “EP de preparação” mostra um renascer em forma de compilação musical encabeçado por Solange que se sai bem e mostra um lado diferente do mostrado por sua ilustre irmã, conseguindo ser díspar e se destacando de maneira nada vulnerável, apesar de recomeçar a traçar rota em novo terreno.

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BOM PARA QUEM OUVE: Charli XCX, Sky Ferreira, Jessie Ware
ARTISTA: Solange

Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.