Resenhas

Son Lux – Lanterns

Novo disco do produtor Ryan Lott é muito bem produzido mas carece de maior emoção diante de tantas batidas elaboradas.

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Ano: 2013
Selo: Joyful Noise Recordings
# Faixas: 9
Estilos: Eletrônico, Experimental
Duração: 41:35
Nota: 3.0
Produção: Ryan Lott

Son Lux demonstra que a equalização sonora moderna está concentrada no esforço individual e no poder dos computadores. Criações que outrora ficavam restritas ao campo das ideías, hoje são executadas com softwares poderosos e estão ao alcance de todos aqueles que navegam pelos torrents da internet. No entanto, nem todo expressionismo computacional é interessante e Lanterns é um bom exemplo.

A grandiosa abertura de Alternate World nos leva a crer que um trabalho muito mais vistoso virá em sequência. Minimalista e bastante emotiva, a faixa traz o melhor momento de Ryan Lott a frente dos microfones. Um misto de batidas de Hip Hop e crescente no volume das texturas, eleva as expectativas do ouvinte. Flautas, saxofones reproduzidos digitalmente são sampleados em Lost It to Trying, momento que demonstra o virtuosismo de um músico que não só cria discos mas também trilhas sonoras como do filme Looper.

Feita provavelmente em um estúdio com um tamanho pouco maior que um quarto de solteiro mas com Lott no comando dos computadores, exemplifica como a música atual muito mais acessível e ao mesmo tempo plural. Tal conceito nos leva a crer que qualquer mistura pode ser bem sucedida, o que não é necessariamente verdade. Ransom é comum na música eletrônica atual enquanto Pyre é uma tentativa megalomaníaca de se criar uma introdução orquestrada mas que se resume à somente melancolia ao final.

Nove faixas parecem muito aqui apesar do número não chegar nem na segunda casa decimal. Dentre alguns momentos descartáveis, o brilho acaba surgindo. Easy é “simples” dado os parâmetros experimentais do disco mas consegue pela segunda vez no disco capturar a atenção do ouvinte ao transmitir sentimentos e pode ser considerada a faixa mais delicada e bonita da obra. No Crimes* em seguida, eleva o tempo das músicas e tem a muito bem-vinda participação especial de Peter Silberman do Antlers e pode ser considera a única canção realmente vibrante.

Como embrulho,Lanterns é bonito e pode ser considerado aquele presente desejado na árvore de natal. Muito bem-produzido aparenta ser grandioso, denso e experimental, algo que ele realmente é. No entanto, a falta de sentimento ou pelo menos conectores que influenciam o estado de espírito dos ouvintes, acaba deixando o disco extremamente descartável. Insosso, não faz diferença na sua vida como um todo, mas talvez traga momentos aprazíveis mesmo que extremamente efêmeros.

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BOM PARA QUEM OUVE: Godasadog, CocoRosie, James Blake
ARTISTA: Son Lux

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.