Resenhas

St.Paul and The Broken Bones – Half the City

Ótimos arranjos e letras interpretadas com força e alma ilustram o disco de estreia da banda de Alabama

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Ano: 2014
Selo: Single Lock Records
# Faixas: 12
Estilos: Soul, R&B
Duração: 57:08
Nota: 4.5

A música Soul provavelmente é um dos estilos que mais exige entrega e dedicação do compositor e do intérprete, tendo que passar toda uma carga enorme de sentimentos para o ouvinte. A missão não é assim tão fácil quanto parece e nem todos conseguem. Entretanto, a banda St. Paul and The Broken Bones a faz com extrema maestria, fazendo nós, ouvintes, nos arrepiarmos, sem – ou mesmo com – o trocadilho, até a alma. Criada em 2011, a banda vem de Alabama, nos Estados Unidos, e chega agora com sua estreia em longa duração com o álbum Half the City, um disco que transborda talento e emoção.

Além de seguir muito bem a cartilha desse estilo fascinante, a banda é “apadrinhada” por Ben Tanner, do Alabama Shakes, que produziu o EP de estreia do grupo, e que com certeza passou muitas lições de gente grande para os rapazes, que, como podemos perceber, levaram a sério, visto o excelente trabalho, tão bom quanto o da banda de Tanner, Brittany e companhia.

Composto por 12 faixas, Half the City é um disco ótimo do começo ao fim e, mesmo com quase uma hora de duração, apresenta uma audição extremamente prazerosa, fazendo com que o ouvinte mal nota a sua longa extensão e clique no play logo que última faixa acabe.

Sempre com instrumentais alinhados, tendo uma cozinha sólida e um belo conjunto de metais, que são somados às letras embebidas em uma dor que nos dói de tão bonita e comovente, como em Let It Be So com versos como “I will love you to the end of time/Even though our love ain’t alive/Please don’t let it let play on you/I know it, he is alive” (“Eu vou te amar até o fim dos tempos/Mesmo que o nosso amor não perdure/Por favor não deixe que ele jogue com você/Eu sei, que eles ainda está vivo”); ou a linda Broken Bones & Pocket Change com “Ain’t nobody, Ain’t nobody gonna love me/I’ll just stand here, all alone/Broken bones and pocket change/This heart is all she left me with” (“Ninguém, ninguém vai me amar/Eu ficarei aqui, sozinho/Ossos quebrados e alguns trocados/Esse coração é tudo o que ela me deixou”).

Letras essas que são interpretadas brilhantemente e cheias de emoção por Paul Janeway, que possui uma voz peculiar e muito interessante, soando como uma mistura de vocais femininos e masculinos, algo como entre Britanny Howard e Charles Bradley e Al Green. Tal voz acaba se tornando um dos principais instrumentos da banda e um dos principais atrativos ao ouvinte, que com certeza se emociona tanto quanto Janeway durante suas apresentações.

Estreando com ótimos arranjos, letras e interpretação, St. Paul and The Broken Bones mostrou com Half the City que sabe fazer, e muito bem, música Soul boa no todo, no conjunto, e de uma maneira bem orgânica e de intensa intimidade, o que resulta num trabalho de inteira dedicação e um produto final de encher os olhos e alma.

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Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).