Resenhas

Stuart Warwick – The Butcher’s Voice

Músico entrega uma obra conceitual sólida e bela, mas que pode se tornar cansativa caso o ouvinte não se identifique com o drama proposto

 1,610 total views

Ano: 2013
# Faixas: 11
Estilos: Pop Alternativo, Art Pop, Indie Pop
Duração: 41'
Nota: 3.5
Produção: Aidan O'Brien e Stuart Warwick

Stuart Warwick é um homem com uma mensagem e ele quer transmiti-la com eficácia e beleza. É o que parece após um contato com seu segundo álbum, The Butcher’s Voice, uma coletânea de letras sobre identidade sexual mergulhada em referências do repertório GLBT e envoltas pelos arranjos certos para aproveitar a dramaticidade proposta para a obra.

Porém, como em todo lançamento com um conteúdo ligado muito especificamente a um nicho, há muitas chances dele não ser abraçado por quem não participa do grupo demográfico em questão. Sua beleza não é difícil de ser enxergada, mas a monotonia temática pode cansar quem não se identifica com aquelas narrativas.

Logo na capa, já fica clara a ideia da incursão na cultura gay que o disco proporciona. A figura do açougueiro é associada com vitalidade e virilidade e, enquanto é sinônimo de poder em Clarice Lispector, ganha conotação fetichista. Em meio aos poodles cor de rosa, o ator transexual Buck Angel, ícone desse subgênero na pornografia, segura linguiças com um freudiano charuto na boca. Nas letras, várias figuras de linguagem continuam evocando mais da iconografia do mundo GLBT, de marinheiros a flamingos.

A voz de Warwick é bela por si só e sabe como entregar uma interpretação adequada para suas composições, com alcance ideal para o tipo de drama que propõe fazer. Ele lembra muito Rufus Wainwright, principalmente em Crush e Dame Binned Cow, e sabe surpreender com variações, como em Dreams of a Tomato Can. No geral, o músico sabe imprimir emoção em seus vocais sem excessos, deixando os exageros para as próprias letras.

O mesmo acontece com as melodias. Com camadas sonoras densas bem orquestradas, músicas envolventes e menos tristes, como Birds That Don’t Fly, sabem dividir o espaço com a melancolia de Sailors e da faixa-título, por exemplo. O melhor exemplo do alcance emocional dos arranjos fica em Melancolonica, apenas instrumental e uma bela surpresa perto do final do disco, e as cordas em Cherished Muscle também merecem destaque.

Um pouco dramático demais às vezes, The Butcher’s Voice é um bom registro que sabe impressionar com sua beleza, mas pode ser cansativo de se ouvir mais vezes. No fim, acaba sendo um daqueles álbuns que você vai colocar para ouvir uma vez ou outra e sempre desfrutá-lo, mas dificilmente entrará para seu cotidiano.

 1,611 total views

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.