Supercordas – A Mágica Deriva dos Elefantes

O tom psicodélico dos anos 60 é resgatado no segundo disco da banda, que esperou seis anos para um novo lançamento já que “a vida aconteceu”

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Ano: 2012
Selo: Midsummer Madness
# Faixas: 12
Estilos: Rock Psicodélico, Rock Alternativo
Duração: 53:54
Nota: 3.5

A brasileira Supercordas surgiu no (agora já bizarramente longínquo) ano de 2006 – é o que conta a descrição do grupo em seu site oficial. Segunda ela, a banda foi congelada na década 60 e, quando acordou do período de congelamento, havia retomado o espirito psicodélico da década lisérgica. Seis anos na música também podem ser um tempo muito grande de reclusão para o lançamento de um segundo disco, o que tem como resposta, no mesmo site, a simples e compreensível afirmação de que “a vida aconteceu”.

Estes cariocas acabaram de disponibilizar gratuitamente o segundo disco, A Mágica Deriva Dos Elefantes. Mumbai inicia a obra com um clima psicodélico de um Rock viajado com uma letra que explora a diversidade entre flora, fauna, e entre pessoas, uma boa aclimatação para a cidade indiana. Orquestra de Mil Martelos é menos leve e tem um bom solo de guitarra. Entretanto, a voz em delay não dá a harmonia necessária à canção – o que é uma pena, pois é uma música muito bem instrumentada, fato visto no último minuto da canção quando o efeito é colocado de lado e voz e percussão se encaixam.

O Céu Sobre Nossas Cabeças explora de forma jocosa o fato de o mundo estar desmorando ao nosso redor, mas, ao mesmo tempo que as coisas boas se vão, aquelas desagradáveis também vão junto. No final, tudo fica bem nessa canção mais Pop. Um Grande Trem Positivista, a começar já pelo nome, tem o enredo mais psicodélico do CD. “Homens terminais” e a “Igreja Positiva” são a base desse belíssimo Folk com direito a gaita e tudo o que o gênero aborda. Belo Horizonte reside em um groove circular, que vai e volta para o mesmo ponto musicalmente, com a sua base no teclado. Da metade pra frente, a música cresce, se tornando cada vez mais psicodélica com os efeitos utilizados. Um pouco longa, chega a cansar no final.

Mágica retoma as “supercordas” do Rock e traz uma canção bem acertada entre voz e instrumentos. As letras continuam non sense, mas tudo bem: é o estilo do grupo e faz parte de toda sua caracterização. Déclinio E Queda Do Império Magnético se prende ao regionalismo musical do nordeste, com cordas de viola dessa vez, e mostra uma interessante influência da música brasileira no trabalho viajado do grupo. À Minha Estrela Bailarina, mais soturna e melancólica, destoa um pouco do clima alegre do disco, sendo nada mais do que uma experimentação. Índico de Estrelas, o primeiro single do disco, consegue ser viajada sem excessos, com um belo lirismo nas letras e uma boa interação entre as duas guitarras do grupo. Ascensão E Glória Do Império Cibernético é uma boa experimentação no campo eletrônico e que deveria ser melhor explorada, sendo aqui sua curta duração um ponto negativo.

Ásclepius, vai aumentando o número de instrumentos do simples violão e voz para, aos poucos, guitarra, teclado, baixo e bateira irem entrando, mas sem aumentar o volume da música – talvez seja o momento menos psicodélico musicalmente do CD. Ninguém Conquista A Noiva Dançando termina a obra de forma quase instrumental e mais explosiva, com um coro de vozes aparecendo de forma súbita sem perder a harmonia

Em seu segundo disco, a banda consegue realmente trazer a psicodelia dos 60, seja através do som ou pelas letras ainda mais viajadas, mas que dão o toque característico da banda. Supercordas não se resume somente no nome (referente à teoria física popularizada atualmente pelo personagem Sheldon da série The Big Bang Theory), mas também ao grande domínio que o grupo tem com instrumentos de corda. Se a vida aconteceu, que ela continue acontecendo para eles, pois de alguma forma toda essa inspiração tem que vir de algum lugar.

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BOM PARA QUEM OUVE: Alt-J, Tame Impala, MGMT
ARTISTA: Supercordas

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.