Resenhas

Sweet Valley – SV

Duo eletrônico formado pelos irmãos Williams derrapa em sua imaturidade e não chega a empolgar em nenhum momento.

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Ano: 2013
Selo: Independente
# Faixas: 12
Estilos: Eletrônica
Duração: 40:00
Nota: 2.5
Produção: Sweet Valley

Nathan Williams é conhecido pelo seu humor e por levar tal aspecto as suas composições. O Wavves, seu projeto principal, é o grande exemplo de como a música pode ser descompromissada e divertida ao mesmo tempo, e que apesar de fugir de grandes inovações, consegue empolgar o seu público. Mas algo na essência do duo eletrônico formado com seu irmão, Kynan, parece faltar.

Sweet Valley pode ser considerado um grupo nascido para ser beat-maker mas o que vemos aqui são ainda pequenos excertos, algumas ideias longe de ser revolucionárias e que parecem inacabadas. Algumas funcionam muito bem e outras denunciam mazelas pouco contornáveis em SV. E do começo ao fim vemos que a única unidade da obra, o fio que liga as faixas entre si é a vontade incontrolável de tornar tais trechos samples disponíveis para quem souber utilizá-los da melhor forma. Turbo GT poderia ser trilha sonora de jogo de algum jogo de videogame contemporâneo ao misturar sons polifônicos com Dubstep. Já Hypomania tem uma pegada Dream Pop misturada ao Hip Hop e sua levada da metade pra frente é psicodélica na medida certa.

No entanto, muitas músicas se repetem em diversos momentos. É como se a criação durasse algo entre um minuto e meio e o resto fossem somente repetições em loop. Algumas acabam sendo interessantes mesmo diante de tanta repetição devido a qualidade das batidas mas outras, se tornam insuportáveis após um tempo. Quicksand e Valley parecem não fazer tanto sentido assim, enquanto Four poderia muito bem ter sido retirada do disco.

Quando a inspiração é o Drum n’ Bass, surgem bons momentos como as dobradinhas Untitled21, Untitled22 e o grande momento, Land Crusherfaixas rápidas e que mais uma vez poderia estar em algum jogo de corrida, mas menos contemporâneo e mais oldschool como F-Zero do Super Nintendo.Cosmic Divine chega a ser um alívio sonoro em meio a tanta rapidez e batidas por minuto, e pode ser considerada a faixa mais relaxante de todo o disco.

Algo em meio a todas as músicas parece faltar.Talvez seja a necessidade de uma maior produção sonora, o que provavelmente fugiria de todo o escopo do projeto, ou um cuidado, uma preocupação maior com que tais batidas não sejam meras repetições seguidas de trechos reproduzidos no computador. Como Nathan é um ótimo brincalhão, temos a sensação de que o mesmo pegou seu PC e começou a brincar com música eletrônica. O resultado ainda é muito imaturo e pouco preciso, e só o tempo dirá se a brincadeira realmente evolui para algo melhor do que escutamos aqui.

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BOM PARA QUEM OUVE: Mixhell, Four Tet, Burial
ARTISTA: Sweet Valley
MARCADORES: Eletrônica

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.