Resenhas

Sylvan Esso – Sylvan Esso

Duo inglês foge do óbvio aliando minimalismo, música Pop e inventidade Eletrônica

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Ano: 2014
Selo: Partisan Records
# Faixas: 10
Estilos: Eletrônica, Minimal Pop, Avant Pop
Duração: 38:00
Nota: 3.5
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fsylvan-esso%2Fid874415038%3Fuo%3D4%26partnerId%3D2003

O duo Sylvan Esso é uma dessas bandas que surgem de oportunidades e de uma hora pra outra. Amelia Meath e Nick Sanborn se conheceram em uma festa qualquer e apresentaram seu material um para o outro, e foi assim que os ingleses resolveram criar seu primeiro álbum juntos, que leva o mesmo nome do projeto. Tendo sido tudo gravado no quarto de Sanborn, não é de se estranhar que a produção seja direcionada para um caminho mais Lo-Fi e que foge da curva da megaprodução e foca numa crueza muito honesta e bem acabada pelos artistas.

Dizer uma banda apenas como referência exata do som que eles fazem ou então mirar em um gênero e atirar é uma tentativa gasta a toa, pois o par vai além. O que de fato ressoa por todo o disco é uma somatória de alguns elementos: O minimalismo atravessa por todas as faixas, assim como a proximidade ao som eletrônico, que ecoa tanto nas bases contemporâneas e modernas de Nick quanto nos vocais metalizados e quase infantis de Amelia, que vez e outra, são duplicados aqui e recortados ali pra deixar tudo com um cara um pouco mais diferente.

Ainda que distante, vale ressaltar as lembranças de nomes como Lorde, que também traz a sutileza de um Pop mais soturno, Purity Ring e Totally Enormous Extinct Dinosaurs, que baseiam grande parte de sua instrumentação num pastiche eletrônico misto, e até Dirty Projectors e Landshapes, que se saem muito bem em uma experimentação vocal, bem vista pelo decorrer desse disco em momentos de destaque como Hey Mami, Coffee e Play It Right.

O interessante do par inglês é que ele foge também dos estereótipos de “grupos diferentes” do Reino Unido, seja do Pop mais sisudo ou do Rock britânico já tão demarcado e recheado de fãs. Próximo a um Avant Pop, as sonoridades transitam por singles mais dançantes (e não tão inovadores) como H.S.K.T, Could It Be e Uncatena (que aqui soa como algo recentemente explorado por grupos como CHVRCHES e Phantogram) e vai até a extrema quietude de Come Down e a já falada Hey Mami, que abre o trabalho. Uma proximidade a um Folk à la Daughter também é bem lembrado em canções como Wolf e Dress, mas numa versão Minimal Eletrônica que se experimenta dentro do Pop sem soar pedante ou algo do tipo.

Ao fim dos 38 minutos de agradáveis canções recheadas de “espaços para reflexão” e num ritmo que vai de acordo com as batidas de um coração sem pressa, Sylvan Esso propõe um desafio aos ouvidos agitados e provavelmente deve agradar mais aos “estudiosos” da música do que a um grande público. Essa premissa se desfez em 2013 com o meteórico sucesso de Ella Yellich O’Connor nas rádios com o agora hit, Royals. Se esse de fato for um novo nicho para o Pop à vastas multidões, temos aqui um bom nome a se ficar de olho.

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Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.