Resenhas

SZA – Z

Segundo EP da cantora mantém o nível do anterior e ainda se expande sob novos estilos que seguem a sua marcante viagem sonora

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Ano: 2014
Selo: TDE Records
# Faixas: 10
Estilos: Dream Pop, Hip Hop, R&B
Duração: 40:00
Nota: 3.5
Produção: Toro Y Moi, Mac Miller, Felix Snow, DJ Dahi, Emile Hayne

No ano passado, SZA havia nos proporcionado uma experiência muito interessante em seu EP, S. O pequeno disco nos dava as primeiras impressões de um Dream Pop misturado ao R&B, um som viajante nos sonhos, mas com os pés nos ritmos e no poder da voz de uma jovem cantora. Agora, seguindo a continuação que segue o seu nome, Z, nos surpreendemos com a capacidade de adaptação de sua voz a distintos gêneros em um trabalho repleto de bons momentos e com capacidade de impulsionar fortemente a sua carreira.

A assinatura com a TDE Records, selo que tem como uma das cabeças Kendrick Lamar, abriria o leque de produtores e influências, no entanto, a presença também concedeu belíssimas participações especiais em Z. Além do g.o.o.d kid, temos nada menos que Chance the Rapper e Isaiah Rashad, ou seja, três dos nomes mais quentes do Hip Hop atual. Distintas entre si, os momentos compartilhados com estes rappers quebram um pouco o ritmo do disco de uma forma muito bem-vinda.

Como Child Play, que sampleou praticamente a essência de About You de XXYYXX. Mesmo não mostrando tanta criatividade, a combinação etérea da voz de SZA com a usual ironia de Chance trazem um frescor à faixa e a tornam algo completamente novo e fresco, uma viagem marcada com antecedência a perdição. Babylon, com Kendrick, é outro momento muito interessante e, em um primeiro instante, o som de coral ao fundo não parece combinar com os versos do rapper de Compton, no entanto, precisamos de apenar algumas batidas “dropadas” para que energia que conhecemos há muito tempo apareça. Dominando a primeira metade da faixa, Lamar abre as portas para que a cantora a finalize de forma exemplar com os versos pedindo para ser crucificada após um término de romance. A quebra entre ambas partes, a primeira intensa e a segunda confessional é algo que se repete algumas vezes ao longo da obra.

Como a expansiva e Pop, Green Mille. Feita no formato de balada radiofônica com batidas crescentes ao melhor estilo de Beyoncé, a faixa é densa e emotiva. Quando termina, um novo trecho é colocado e contrasta com o restante da faixa com sua batida Hip Hop que pede para se tornar uma música completa ao invés de somente um curto aperitivo. Julia é dançante e traz SZA alcançando bonitos agudos em um das músicas mais contagiantes da obra. Seu sintetizador marcado no tempo e sua levada sexual pede para que um remix seja feito, enquanto HiiiJack é o Dream Pop com R&B que havíamos mencionado anteriormente, pura viagem sonora pelas essências da música negra.

Já havíamos resenhado o disco de Isaiah Rashad e mencionado que era o lançamento mais quente de Hip Hop em 2014 até o momento. Sua presença aqui, mesmo que discreta, nos confirma que o rapper é um nome que aparecerá não somente sozinho mas realizando participações por ai. Após a primeira metade de Warm Winds, ele surge. Até então, a faixa caminhava para um vôo em que o sintetizador funcionava como asas: suas batidas vem a partir de timbres longos e psicodélicos. Logo depois, SZA pede para ser transformada em um pássaro e Rashad surge para cantar junto dela em um dos momentos mais bonitos e aprazíveis de todo o disco.

Porém, as grandes surpresas aparecem na trinca final de músicas. Em uma delas, nos afastamos um pouco do Dream Pop para que a voz de SZA encontre seu caminho no meio de inspirações jazzísticas, no caso Mandota de Marvin Gaye.Sweet November poderia muito bem ter sido feito nos anos 1950 e aparecer posteriormente em um filme de Tarantino como Jackie Brown. Omega e Shaterred Ring são pedidos de singles para faze-la explodir com o formato já citado acima de belas baladas e emocionantes baladas. Seu aspecto crescente é bastante motivador e deve ganhar força diante dos corações sofridos, principalmente o final da primeira faixa em que a entrada de uma batida de Hip Hop acaba por finalizar perfeitamente a obra.

Esqueça a fraca abertura UR e temos aqui um disco bastante plural que independe do gênero para mostrar o poder da voz de SZA. Com parcerias e inspirações certeiras, a cantora mostra que não nos enganava quando lançou seu ótimo EP no ano passado e que as viagens sonoras proporcionadas anteriormente evoluíram, ganharam novos ares e roupagens. Em pouco tempo, SZA demonstra uma maturidade que muitos artistas demoram anos para chegar e consegue ao mesmo tempo em que experimenta, nos proporcionar um álbum de Pop com um pouco de Dream, Hip Hop, R&B e Jazz. Quem ganha com tudo isso é o ouvinte, principalmente aquele que ama uma voz bem feminina a frente de algum projeto, como este que vos escreve.

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BOM PARA QUEM OUVE: Rhye, Beyoncé, Lykke Li
ARTISTA: SZA
MARCADORES: Dream Pop, Hip Hop, Ouça, R&B

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.