Resenhas

Tango In The Attic – Sellotape

O segundo álbum dos escoceses segue uma linha mais roqueira e foge de comparações com seu primeiro disco e das influências que tiveram nele

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Ano: 2012
Selo: Domicile Crocodiles
# Faixas: 9
Estilos: Indie Rock, Indie Pop, Garage Pop, Lo-Fi
Duração: 34:55
Nota: 3.5

Apesar dessa cara mais roqueira que o Tango In The Attic adotou neste segundo álbum, o que eles sabem fazer de verdade é música Pop – e é claro que ela não poderia faltar por aqui. Escondido atrás de uma estética Lo-Fi, está um trabalho com uma sonoridade empolgante e de fácil assimilação, prova disso é o maior single de Sellotape, Mona Lisa Overdrive, que é uma das canções mais entusiasmadas do disco e mostra a mistura de vários elementos que vão desde o peso e a variância do Indie Rock até os vocais melódicos do Indie Pop e que se fazem presente em quase todas as faixas.

O disco consegue se diferenciar bastante do seu antecessor, Bank Place Locomotive Society, exatamente por trazer essa vibe mais roqueira, o que fica evidente logo aos seus primeiros minutos na faixa Stitch, que ganha uma introdução à la Tokyo Police Club (a semelhança vem principalmente do pulsante baixo) e que se arrasta por quase um minuto. A faixa muda repentinamente o rumo com a entrada de uma frenética bateria e o vocal de Daniel Craig, mudanças que são uma constante dentro do álbum, em que quase todas as novas faixas seguem esse “padrão” imprevisível.

A bateria aqui ganhou um grande destaque. Paul Johnson consegue se sobressair com seu instrumento e amarrar muito bem os outros elementos com sua percussão impecável. 198 Alpaca, com sua aura experimental à la Animal Collective, consegue apresentar bastante dessa percussão consistente e quase errática de Paul.

Os duelos de guitarras que já existiam no primeiro registro da banda continuam, porém agora com menos cara de Vampire Weekend, em um caminho mais orgânico e com mais pessoalidade. A faixa Suncream consegue mostrar muito bem essa mudança. O grande single do álbum, Mona Lisa Overdrive, também apresenta um belo dueto entre as guitarras que juntas criam uma melodia dançante e divertida e que dá à canção o status de melhor do disco.

A dobradinha Swimming Pool e Family Sucks fecha o disco de forma mais amena. A primeira delas apresenta um vocal desleixado de Craig (que lembra bastante o de Julian Casablancas nas músicas mais calminhas do The Strokes) e uma aura New Wave pelo abuso dos sintetizadores; a segunda já escancara a veia Pop da banda em uma baladinha que passeia entre alguns estilos e acaba com um bom toque radiofônico.

Este é um bom segundo disco em que a banda resolve se aventurar mais e criar uma identidade própria, ao invés de tentar ser fragmentos de suas influências. A aparente vibe roqueira mascara um ótimo álbum Pop, que em nove faixas pode agradar quem gosta das duas vertentes.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts