Resenhas

Tatá Aeroplano – Na Loucura & Na Lucidez

Segundo álbum solo do músico paulistano lança-o em uma viagem em busca de redenção

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Ano: 2014
Selo: Voador Discos
# Faixas: 8
Estilos: Rock Psicodélico, MPB
Duração: 42:26
Nota: 3.5
Produção: Dustan Gallas, Junior Boca e Bruno Buarque
SoundCloud: /tracks/158850650

Por trabalhos anteriores, seja eles com o Jumbo Elektro, Cérebro Eletrônico ou qualquer outro de seus projetos, já se sabe de certa forma o que se esperar de um disco de Tatá Aeroplano. Muita confessionalidade, boas histórias sempre contadas em primeira pessoa e, acima de tudo, o inesperado. As crônicas musicadas pelo paulistano parecem traduzir de maneira única sua própria vivência. É como um velho amigo que não vimos há muito tempo contasse suas desventuras (muitas vezes amorosas) passadas em longos meses que ficaram sem se falar.

Na Loucura & Na Lucidez segue bem esse clima de conversa entre amigos, ainda mais quando a capa estampa Tatá tocando violão em sua sala. É quase como se nós fossemos convidados a entrar na casa do músico para que ele brinde com suas histórias. As oito faixas transitam entre os extremos apresentado por Na Loucura e Na Lucidez, músicas que, respectivamente, abrem e fecham o disco.

O álbum é aberto com a tristeza de um fim de relacionamento (“Chorei / De nada adiantou / E não abrandou minha agonia / Escrevi uns versos / Depois rasguei”), com o desvencilhamento do que o músico descreve com uma prisão. A narrativa continua sem exatamente seguir uma linha temporal bem definida, mas nota-se que dilema auto imposto pelo protagonista, que se lança nas mais estranhas situações no que parece a tentativa de esquecer seu prévio amor. Passagens como “Tirei o pé da fossa / E a noite / se tornou uma devassa/ E eu sinceramente / Me tornei um animal” (Mulher Abismo) e “Eu vim pra cidade / E não quis me deixar levar / Pelo seu ritmo bobo / Suas noites ao deus dará / Do seu amor líquido / Eu só quero seus orgasmos” (Entregue a Dionísio) mostram parte do caminho a superação.

A caminhada até a “Lucidez” leva o protagonista a passar por momentos de saudade (Onde Somos Um e Perdidos Na Estrada), até a chegada da dura realidade que sua ex-namorada já estava com outro (Na Lucidez). A faixa final é uma confissão a ela sobre tudo o que passou nos últimos meses (“No dia que você partiu / Era o seu aniversário / No dia que você partiu / Eu abri mão do meu futuro”, “Eu me vingava do meu jeito / Estúpido”) e o passo final rumo à sua libertação da tal prisão (“e fiquei feliz em te ver bem / e fiquei feliz em te ver na lucidez”).

Musicalmente, o disco consegue ambientar bem esse clima confessional, apresentando arranjos muitas vezes mais simples e guiados principalmente pelas doces melodias do violão. Guitarras, sintetizadores e alguns vocais extras completam o misto de sonoridades, mas o que mais importa no final é a narrativa e o modo tão “sem vergonha” com que o Tatá nos conta. Pitadas de Música Brasileira, Rock Psicodélico e um pouco daquele Rock sessentista formam as página em branco na qual Tatá vai escrever sua história.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts