O tal “Velho Mundo” que dá título ao segundo disco solo de Teago Oliveira é mais uma sensação do que um lugar definido no espaço-tempo. Um velho mundo menos dependente da tecnologia – e mais sensível, mais analógico e, por que não, mais tátil. Canções do Velho Mundo surge desse não-lugar proposto pelo músico baiano: mais como forma de resistência do que como um aceno nostálgico. Uma resposta aos tempos (pós-pós-) modernos, o álbum é sobre envelhecer num mundo em constante mutação – e, também, sobre não precisar aceitar cada mudança como se fosse inevitável. Teago, mesmo assim, está com os dois pés no presente.
Teago, no entanto, está com os dois pés no presente. O registro já começa falando de forma bem-humorada sobre envelhecer nesse “novo mundo”. “Minha Juventude Acabou” abre alas expondo as dores e delícias de amadurecer e serve como ponto focal da obra ao apresentar temas como crescimento, aceitação do tempo e entendimento das próprias contradições. Temática que retornam com outras roupagens durante as 11 faixas restantes. Ainda que altamente melódico e pop, o disco não soa imediatista. Munido de letras profundas e reflexivas, o músico parece nos propor calma em um ambiente cada vez mais urgente – e até mesmo chega a propor radicalmente a noção da própria desimportância (“Ninguém Liga”).
O registro ainda tem seus momentos de reflexão sobre o próprio fazer artístico (como em “Eu Nasci Pra Você”). Aqui, Teago esconde numa pretensa música de amor uma crítica à indústria que prioriza tendências passageiras do “novo mundo” (“De um lado há o nosso eu mais verdadeiro / Do outro, esse refrão que paga as contas”, diz ele). Há também espaço para a observação do cotidiano (na dobradinha “Vida de Bicho” e “Shashin-ka”), uma ode à música baiana (“Sou de Salvador”), e, é claro, uma música de amor para valer: “Vida de Casal”, com a colaboração de Silvia Machete, é um lindo diálogo bilingue de um casal que envelhece junto.
Teago ainda nos propõe uma linguagem instrumental “do velho mundo”. Gravado num estúdio caseiro com instrumentos antigos, o disco carrega a sensação de outra época, uma poeira sonora que nos traz algo de atemporal. O músico volta a orbitar o rock, o pop e o folk, agora com essa “sujeirinha” analógica que surge não como elemento puramente estético, mas em confluência com as letras. Canções do Velho Mundo é, no fim, um disco sobre reaprender a sentir – e ainda acreditar que cantar, em tempos como esses, pode ser um poderoso gesto de sinceridade.
(Canções do Velho Mundo em uma faixa: “Eu Nasci Pra Você” )
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