Resenhas

TEEN – In Limbo

Banda feminina de Lo-Fi oscila entre bons e maus momentos em seu disco de estreia, sem deixar de transparecer um grande potencial.

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Ano: 2012
Selo: Carpark
# Faixas: 11
Estilos: Lo-Fi, Dream Pop
Duração: 55:42
Nota: 2.5
Produção: Pete Kember

De acordo com a Igreja Católica, o limbo é um lugar para onde iriam as almas inocentes que não cometeram pecados mortais, mas que tampouco foram batizadas e por isso estariam privadas da presença de Deus. Um lugar para se viver longe de olhos superiores. TEEN, em capslock gritante mesmo, é uma banda de mulheres que tocam um Lo-Fi denso e In Limbo é o seu disco de estréia.

Assim como o tal lugar obscuro e misterioso, o grupo se propõe a criar uma atmosfera sonhador, e às vezes pesada, através de sua música. Canções como Better e Come Back são agitadas dentro de um álbum que procura condensar emoções e deixar mais incertezas no ar.

A voz de Kristina Lieberson agrada e traz à tona, muito bem, o clima nebuloso desse limbo sonoro. Entretanto, a falta de uma mão mais rígida da produção, diminuindo a duração de diversas músicas, acaba prejudicando o andamento da obra. Vemos isso em Roses And Wine, Unable e Why Why Why por exemplo. Momentos insossos e cansativos, os quais, salvo a bela voz da vocalista, trazem somente o bocejo e a vontade de sair desse lugar desconhecido.

Quando sua criatividade destoa um pouco, vemos grandes músicas como Electric. Nela, um Post-Punk bem lento com uma bela rítmica vocal vai aparecendo e escondendo ao mesmo tempo o seu melhor momento, o refrão viciante que só surge no final. Fire encerra o disco de forma magistral com uma canção que emana figuras de uma cena qualquer de um filme de Tarantino.

Huh e Charlie são Lo-Fi relevantes mas acabam caindo na armadilha da extensa duração, que por fim tem as suas qualidades musicais quase esquecidas devido à perpetuação de sons e ruídos irrelevantes. Infelizmente, Sleep Is Noise e a faixa título In Limbo não mudam também o estigma que percorre o álbum inteiro, o de se encontrar um bom potencial mas logo se decepcionar com a fraca execução de ideias.

O conceito abstrato do limbo católico implica no final em um lugar do qual não se pode sair e tampouco ser agraciado com a graça divina, ficando-se portanto preso a um estado indiferente. Da mesma forma, In Limbo traz toda a atmosfera necessária para se imaginar no desconhecido e nebuloso, entretanto a longa duração de músicas, muitas vezes irrelevantes, nos leva ao mesmo estado fixo e sem rumo que o limbo propaga. Mas como nem toda estreia é bem sucedida, que as lições desse álbum sejam aprendidas para que o verdadeiro potencial do grupo seja alcançado em novos desafios.

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BOM PARA QUEM OUVE: Washed Out, Grimes, Ducktails
ARTISTA: TEEN
MARCADORES: Dream Pop, Lo-Fi

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.