Resenhas

Telekinesis – Dormarion

Michael Benjamin Lerner produz bons singles e composições estruturalmente coesas, mas não impressiona em todo o disco

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Ano: 2013
Selo: Merge Records
# Faixas: 12
Estilos: Indie Rock, Folk Rock, Synth Pop
Duração: 35:00
Nota: 2.5
Produção: Jim Eno
SoundCloud: /tracks/73986799

Michael Benjamin Lerner volta à atividade depois de dois anos sem lançar um trabalho inédito para seu projeto Telekinesis. Tendo dado os primeiros passos junto ao seu mais recente trabalho no primeiro semestre de 2012, o músico dividiu o tempo de produção em ambientes muito confortáveis: Parte do tempo em sua casa e a outra metade no lar de seus pais, a tal gravação só veio a tona mesmo ao final do período, quando o verão se acabava e Lerner se reuniu ao produtor Jim Eno, que, além de ser baterista da banda Spoon, assistiu o rapaz na criação e processos técnicos de sua terceira compilação, que ganhou o nome de Dormarion graças ao nome da rua na qual o estúdio Public Hi-Fi, no qual construiu o sucessor de seu material de 2011, se localizava.

Se nas primeiras criações de Michael, em 2009, o próprio soava mais tranquilo e intimista e no sequencial 12 Desperate Straight Lines a busca pelo Rock’n’Roll era definitivamente sua nova toada, o atual álbum do homem-banda é um resumo de ambas as suas experiências passadas com a soma de algumas experimentações junto a sintetizadores e a aproximação ainda maior de um Pop que varia entre baladas tranquilas no violão e composições mais agitadas trazendo até mesmo alguns efeitos vocais.

Ao destrinchar o material, é possível sentir as frequentes mudanças a cada nova canção. Ocupando o sexto lugar na tracklist, Symphony por exemplo, é uma canção romântica, vagarosa, sentimental e acústica que se encaixaria facilmente em um trabalho plenamente Folk e tradicional. No entanto, ela é contraposta a seguir por uma série de camadas eletrônicas e percussões frenéticas em Dark To Light. Os timbres de voz editados e permeados por uma atmosfera quase espacial não impressionam e ganham um novo caminho na seguinte Little Hill, que apoia-se num Indie Rock facilmente assimilável a produções de nomes como Death Cab For Cutie, que inclusive ja teve o guitarrista Chris Walla como apoio em trabalhos passados de Benjamin.

Apesar de trazer a público sua flexibilidade em produzir coesas músicas em diferentes gêneros sem destoar de uma maneira gritante, e mesmo sendo sempre bem produzido, falta ao rapaz remar em direção a uma sonoridade que faça com que suas principais referências o impulsionem para um destino que emplaque seu som de uma maneira menos óbvia. Os bons singles Power Lines e Lean On Me, que trazem a essência roqueira em uma boa forma, talvez sejam o melhor caminho para o qual Telekinesis deva rumar, já que sua aventura na música eletrônica beira a uma repetição que acaba por se tornar cansativa a longo prazo.

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Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.